Em 1806, Napoleão procura debilitar a resistência britânica. Decretara o bloqueio continental: encerramento de todos os portos do continente aos barcos ingleses. Portugal não aceita o bloqueio e o imperador, sob o pretexto de ocupar este país, invade a Espanha e coloca no trono o seu irmão José, até então rei de Nápoles. A resistência ibérica à ocupação napoleónica dá lugar à Guerra Peninsular. A Corte portuguesa desloca-se para o Brasil (1807). Facto que virá, 15 anos mais tarde, a motivar a independência brasileira. A Áustria não aceita também o bloqueio continental, mas os seus exércitos são mais uma vez vencidos em Wagram (1809). O imperador, que se divorcia de Josefina por esta não lhe dar descendência, casa com Maria Luísa, de dezoito anos, filha do imperador austríaco derrotado. Não foi uma decisão fácil. Napoleão ama verdadeiramente Josefina, apesar das suas “extravagâncias”. Porém, convencida pela argumentação de Fouché e de seu filho Eugène, ela própria insiste nesse “sacrifício pessoal a favor dos interesses do Estado”. Conserva o título de imperatriz, uma pensão de dois milhões e Malmaison.
Entretanto, a Rússia, prejudicada pelo bloqueio continental, decide romper o tratado de Tilsit e restabelece as relações comerciais com a Grã-Bretanha. Em 1812, para subjugar o czar, Napoleão reúne um exército de 675 000 homens, a Grand Armée, e invade a Rússia. Os Russos vão recuando, evitando combater e Bonaparte vê-se forçado a ir penetrando no interior do território. Após algumas batalhas não decisivas, o imperador encontra, em 7 de Setembro, o exército russo entrincheirado em Borodino. As perdas de ambos os lados são numerosas, o resultado da batalha não é claro, mas Napoleão pode vencer se utilizar as forças de reserva. Não se decide e os generais estão furiosos com este sintoma de fraqueza. A que se deve esta hesitação? Entre a Grand Armée e a França há um imenso território. E se, nas suas costas, a Alemanha e a Áustria se voltam contra ele? Por isso, dirige-se para Moscovo. À noite, a cidade “arde como uma tocha”, pois os russos (ou os saqueadores franceses), incendiaram-na. Apesar disso, Napoleão, afirma que “Moscovo constitui uma excelente posição política” para negociar a paz. E enquanto espera, reorganiza a Comédie Française, através de um decreto assinado ali, entre as ruínas fumegantes de Moscovo. Escreve ao seu bom amigo, o czar Alexandre, não recebendo resposta. Oferece a paz ao general Kutuzov. É recusada. Agora só lhe resta retirar. As tropas francesas encontram-se isoladas nas estepes, acossadas por temperaturas inferiores a -30º C, e sem abastecimentos. Retirando em condições infra-humanas, apenas 18 000 sobreviventes chegam à Polónia.
OS ÚLTIMOS ANOS
O fracasso da campanha da Rússia incita os inimigos de Napoleão a aliar-se e a dar-lhe batalha. Em Leipzig, na chamada Batalha das Nações, em 1813, as tropas francesas são derrotadas pelos austro-russos. “Só o general Bonaparte pode agora salvar o imperador Napoleão”, diz ele próprio. Mas engana-se. Pouco depois, 600 000 russos, alemães e ingleses invadem a França e, em Março de 1814, entram em Paris. Ao saber que José capitulou ante os generais inimigos, comenta “Que cobardia!”, e acrescenta “Desde que eu não esteja, só fazem disparates.” Abandonado pelos seus marechais, vê-se obrigado a abdicar e é desterrado para a ilha de Elba. A grande aventura parecia ter chegado ao fim.
Napoleão cai e Luís XVIII restaura a dinastia bourbónica. As dissensões surgidas no interior do país levam-no a regressar a França. No dia 20 de Março de 1815 entra triunfalmente em Paris. Confrontadas novamente com os exércitos aliados (Grã-Bretanha, Áustria e Prússia), são as forças napoleónicas definitivamente derrotadas em Waterloo pelo general Wellington, em 18 de Junho de 1815. O imperador entrega-se aos Ingleses e é por estes deportado para Santa Helena, uma pequena ilha perdida no Atlântico sul, “para lá de África”, como dizem os seus carcereiros. Ali, sozinho com as suas reflexões, dirá: “O infortúnio também encerra glória e heroísmo. Se tivesse morrido no trono, com a auréola da omnipotência, a minha história ficaria incompleta para muita gente. Hoje, mercê da desgraça, posso ser julgado por aquilo que realmente sou.”
Em 5 de Maio de 1821, com uma violenta tempestade assolando a ilha, Napoleão morre, segundo a opinião do médico que o assistiu, não de um cancro no estômago, como seu pai, mas de uma úlcera provocada por uma má dieta e, sobretudo, pela ansiedade. Um antigo companheiro de armas envolve-o no capote que usou na Batalha de Marengo.