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“Carta de Batalha para um escritor de palavras como lousas” – um poema de Josep Anton Vidal

Publicámos ontem,  na versão original em catalão, o poema de Josep Anton Vidal  Lletra de batalla a un escriptor de paraules llosades. Chegaram-nos vários pedidos de que apresentássemos uma tradução do poema. O que agora fazemos, aproveitando para chamar a atenção para o uso do acróstico. A primeira letra de cada verso diz-nos a quem o poema se refere – ao escritor peruano Mario Vargas Llosa. Esta publicação (fora do horário normal) de Um Café na Internet destina-se a publicar a versão portuguesa do poema e a chamar a atenção para posições que este escritor, prémio Nobel da Literatura, tem assumido no que se refere à independência da Catalunha e não só. Um grande escritor, um ficcionista ímpar – um carácter que não está à altura do talento.

Carta de Batalha para um escritor de palavras como lousas

(Apesar de tudo com desgosto)

 (Tradução de Carlos Loures revista pelo autor)

Magno escritor que tal como o inquisidor

abominas aquilo que desconheces,

recupera e afina as tuas ideias.

Inca rendido ao castelhano invasor,

ordenas as palavras com rémiges de condor,

voas, no entanto, como um moscardo.

 

Adulado por uma vil corte de aglossos,

reizinho servil com basófia de imperador,

gargarejas veneno onde colheste flores.

 

Artista do metal polido da linguagem,

sê fiel àquele gesto que te honra,

literato que amaste as cartas de batalha!

 

Ovacionado Tirant, lança-quebrada, 

segues submisso os que te adulam?

 

Aristocrata absurdo… Nobel,  mas não nobre..

Lletra de batalla a un escriptor de paraules llosades

(Malgrat tot, amb recança)

Magne escriptor que a tall d’inquisidor

abomines d’allò que desconeixes,

retorna en tu i afina les idees.

Inca retut al castellà invasor:

ordenes mots amb rèmiges de còndor,

voles, però, amb vol de borinot.

Afalagat per vil cohort d’aglossos,

règul servil amb gest d’emperador,

gites verí allà on collires flors.

Artífex del metall brunyit dels mots,

sigues fidel a aquell gest que t’honora,

lletraferit en lletres de batalla!

Oripellat Tirant de llança blana,

segueixes els dictats dels qui t’ensofren?

Aristòcrata absurd… Nobel, no noble.

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