Em Outubro de 1944 tenho apenas 13 anos. Com o novo ano letivo surge um jovem padre, metido a moderno, para dar Educação Moral e Cívica aos alunos do Liceu Gil Vicente, em Lisboa, ali junto ao Campo de Santa Clara. Ele a pregar e eu a comentar a pregação. De castigo manda-me ficar de pé, junto ao quadro-negro. Vou e fico. Então ele começa a evocar a cena de Jesus a lavar os pés dos Apóstolos. Não me aguento:
– Mas que grande porcalhão, lavar o chulé dos outros…
O padre acerta-me uma ponteirada no alto do toutiço, mas com tanta força que logo caio de cu no chão. Exemplar caridade cristã, a desse padre…

