CHULÉ – por Fernando Correia da Silva

                                                                    

Em Outubro de 1944 tenho apenas 13 anos. Com o novo ano letivo surge um jovem padre, metido a moderno, para dar Educação Moral e Cívica aos alunos do Liceu Gil Vicente, em Lisboa, ali junto ao Campo de Santa Clara. Ele a pregar e eu a comentar a pregação. De castigo manda-me ficar de pé, junto ao quadro-negro. Vou e fico. Então ele começa a evocar a cena de Jesus a lavar os pés dos Apóstolos. Não me aguento:

             – Mas que grande porcalhão, lavar o chulé dos outros…

             O padre acerta-me uma ponteirada no alto do toutiço, mas com tanta força que logo caio de cu no chão. Exemplar caridade cristã, a desse padre…

1 Comment

  1. Somos da mesma idade mas eu andei no Liceu de Passos Manuel. Se o padre não batia, fazia pior. Jesuíta, que era, tentava dar cabo da cabeça de cada um. Uma figura tenebrosa, o padre Crespo – director da revista “Flama” – a quem nunca dei grande atenção já que, no Passos, era possível fugir-se a todas as formas de submissão, por desígnio, à “tutela da igreja” e à da “mocidade portuguesa” CLV

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