Site icon A Viagem dos Argonautas

Dia do Porto: O PORTO E AS CORRIDAS DE AUTOMÓVEIS – Por António Pinto de Mesquita

O  PORTO  E  AS  CORRIDAS  DE  AUTOMÓVEIS

O automobilismo desportivo teve o seu início em Portugal, no ano de 1902, com a organização de uma corrida no Hipódromo de Belém, em Lisboa, destinada a “carruagens sem cavalos” (como então se denominavam os automóveis), motociclos e bicicletas. No que se refere aos veículos com motor participaram na prova 9 concorrentes: 3 em automóveis e 6 em motos. Vencedores: o americano H.S.Abott, em Locomobile e o Dr.Tavares de Mello, em Werner, respectivamente.

No entanto, a primeira grande corrida em estrada aberta realizada no nosso país foi o Figueira da Foz-Lisboa, organizado pelo Jornal A Época em 27 de Outubro do mesmo ano e que efectuou a ligação entre as duas cidades, com passagem por Coimbra, Pombal, Leiria, Caldas da Rainha, Cercal, Azambuja e chegada ao Campo Grande. Inscritos 14 concorrentes, apenas 10 participaram na prova, 6 automobilistas e 4 motociclistas, tendo a vitória pertencido ao italiano Giuseppe Bordini que conduziu um automóvel Fiat, pertencente ao Infante D.Afonso, irmão do Rei D.Carlos. Foi a partir desta prova que, no ano seguinte, foi fundado o RACP – Real Automóvel Club de Portugal que, em 1910, deu lugar ao ACP.

Só nove anos mais tarde teve lugar a primeira grande prova organizada no Norte do País pelo Jornal de Notícias. O “Circuito do Minho” que, apesar do nome, teve mais características de um rali do que de uma competição de velocidade, realizou-se em 21 de Abril de 1912, com partida e chegada ao Porto e com passagem por Vila do Conde, Viana do Castelo, Monção e Braga. Participaram 19 automobilistas, 6 motociclistas e, imagine-se… 2 ciclistas. Entre os primeiros, alguns nomes que se distinguiram nos anos seguintes, como Henrique Marinho, João Garrido, João Cândido de Almeida (o vencedor) e Benedito Ferreirinha; entre os motociclistas Inocêncio Pinto e Leopoldo Futscher. A prova voltou a repetir-se no ano seguinte, com idêntico percurso, mas com características diferentes, já que além da prova de regularidade e consumo, se disputou uma outra de velocidade.

Mas, a primeira grande adesão do público da cidade não foi  a qualquer competição desportiva, mas ao fenómeno automóvel, aquando da realização, em Junho de 1914, do “I Salão Automóvel do Porto”, realizado no Palácio de Cristal, no seu antigo e belíssimo edifício e onde, diariamente, especialmente ao fim da tarde e aos domingos, se podia ver  uma multidão de curiosos e interessados na apreciação dos novos modelos, destinados a comercialização. Note-se que, a maior atracção do certame, foi a actuação de um Ford T, que no exterior do recinto da exposição, subia e descia dezenas de vezes por dia, os oito degraus da escadaria que a ele dava acesso. Só alguns anos mais tarde, entre 1927 e 1939, aqueles “Salões” passaram a ser organizados anualmente com carácter regular, tendo recebido em todas as suas edições afluências de público, verdadeiramente espectaculares. Por curiosidade, refira-se que na edição de 1937, ali foi apresentado em estreia o lindíssimo roadster desportivo Edford, construído  por Eduardo Ferreirinha e que pode ainda hoje ser visto no Museu Automóvel do Caramulo.

Antes de abordar as corridas de automóveis organizadas no Porto, gostaria de fazer uma reflexão sobre a designação atribuída aos praticantes do desporto automóvel, através do tempo, em Portugal. No princípio do século passado, eram simplesmente, automobilistas; nas décadas de 20 e 30 passaram a “volantes” e, em alguns casos, quando de origem aristocrática ou possuíam consideráveis meios de fortuna, eram tratados pela imprensa como “um distinto sportsman”; nas décadas de 40 e 50 tornaram-se condutores (até o campeonato organizado pelo ACP, se chamava Campeonato Nacional de Condutores); finalmente, depois da chegada da Fórmula 1 a Portugal, todos passaram a ser pilotos. Não resisto, ainda, a reproduzir aqui o que me contou, há muitos anos, um homem da “velha guarda”: “Quando um automobilista guia bem, é habilidoso e consegue bons resultados em competição, é um ás do volante; quando o não consegue é, na gíria, um guiador”.

Mas voltemos às corridas, no Porto. Na década de 20, tiveram lugar na cidade, os primeiros grandes eventos de automobilismo desportivo. Em 1923, a primeira ligação à Boavista, com a disputa do “Quilómetro Lançado da Avenida” no troço da mesma que sempre foi usado – a faixa descendente desde o cruzamento para Pereiró, até ao café Bela Cruz. A prova despertou um interesse inusitado, atraindo uma assistência de muitos milhares de pessoas. Foi também anunciada como “a prova mais premiada do país” com 6 taças, 10 medalhas e uma peça artística de bronze para os melhores classificados. O vencedor foi Abílio Nunes dos Santos, em Mercedes, tendo participado os melhores volantes de então, como Henrique Lehrfed, um grande campeão, Mário Ferreira, grande volante portuense, Eduardo Ferreirinha, um nome que ficou na história do automobilismo português, Carlos Eduardo Bleck, volante e aviador consagrado e Jorge Novais, futuro dirigente do ACP e Director de Prova nos Circuitos da Boavista. Registe-se o pitoresco comentário, citado pelo jornalista Vasco Callixto no seu livro “Primeiro Arranque – Subsídios para a História do Automobilismo em Portugal” a respeito da viatura do vencedor: “Apontamento curioso, que bem revela a impressão causada no Porto pelo carro de Abílio Nunes dos Santos, é o que a seguir se transcreve: Este autêntico automóvel-voador, para se desviar de dois eléctricos, à noite, na rua dos Clérigos, fez ir pelo ar o marco postal colocado no cimo daquela rua, abalando ao mesmo tempo as pedras do passeio. O carro quase nada sofreu e seguiu logo para Lisboa”.

Dois anos depois, realizou-se a 2ª. edição do “Quilómetro Lançado da Avenida da Boavista”, com a presença de uma multidão de espectadores superior à registada na prova precedente. Ainda, segundo Vasco Callixto na obra citada, “De novo, os transportes públicos circularam apinhados de gente a caminho do local da prova, utilizando outros os mais diversos meios para chegar à Boavista, para onde a organização fez deslocar 100 guardas a pé e 40 a cavalo, 120 polícias, 50 porteiros e 100 voluntários para diversos serviços”. Contando com 36 inscritos em automóvel e apenas 4 em motos, os vencedores foram, respectivamente, Carlos Eduardo Bleck, em Bugatti e Joaquim Goncalves, em Indian. Entre os novos automobilistas que disputaram a prova estiveram Fernando Palhinhas, Alfredo Marinho Jr e Diogo Cabral (pai de Nicha Cabral).

No ano seguinte, logo em 1926, a “Rampa da Circunvalação” que se disputou numa única edição,  num dia chuvoso de Outono e que, mesmo assim “reuniu uma moldura humana impressionante”, segundo um jornal da época. Esse diário diz ainda que “as médias baixaram por causa do mau tempo, mas o espectáculo foi favorecido pelas – dérrapages – feitas por muitos dos participantes”. Vencedores, três portuenses: Categª. Corrida – Eduardo Ferreirinha, em Bugatti; Categª. Sport: Fernando Palhinhas, em Ariés; Categª. Turismo: Mário Gonçalves, em Austin, este pai e avô de duas gerações de pilotos.

Em 1931, 1932 e 1933, organizados pelo ACP, realizaram-se os três primeiros “Circuitos da Boavista”, não ainda no traçado definitivo adoptado mais tarde, nos anos 50, mas um mais simples, com apenas duas curvas de 180º., que ligavam as grandes retas das duas faixas que constituem a Avenida, entre o cruzamento para Pereiró e o Castelo do Queijo, numa extensão de 4100 metros. No primeiro destes circuitos, foi utilizado um sistema de “handicaps” com intenção de igualar a “performance” dos concorrentes mas, como não foi do agrado geral, não foi adoptado nos seguintes. O público voltou a marcar uma presença maciça nestas provas, traduzida em muitos milhares de ingressos vendidos, especialmente na última edição, devido à expectativa criada pela inscrição na prova da categoria corrida, dos dois melhores volantes portugueses do momento: o bracarense Vasco Sameiro, em Alfa-Romeo 2300 GS que ficou conhecido como “o diabo vermelho” e o lisboeta Henrique Lehrfeld, no Bugatti 35B, com que, em 1930, havia vencido o “Quilómetro Lançado do Mindelo” à impressionante média de 194,122 Kms/h. Este carro que, na década de 30, alcançou brilhantes resultados no país e no estrangeiro, conduzido por Lehrfeld e outros ases do volante, foi finalmente adquirido em 1956 pelo coleccionador Dr. João Lacerda e faz parte da exposição permanente do Museu do Caramulo, onde pode ser visto, na sua cor de origem, o característico “bleu-france”. No entanto, em relação à corrida, a expectativa saiu defraudada porque Lehrfeld teve de parar, duas vezes,  para afinar travões e mudar um pneu e Sameiro venceu com facilidade.

Durante os restantes anos da década de trinta, não voltou o Porto a receber grandes eventos de automobilismo desportivo. As provas de velocidade em circuito foram transferidas para outras paragens no Norte do país, nomeadamente, para Vila Real. Nesse circuito , para além das cinco vitórias alcançadas por Vasco Sameiro, alguns portuenses alcançaram resultados de relevo, como  Casimiro de Oliveira que venceu a categoria sport em 1937, na que foi a primeira vitória de um Jaguar, modelo SS 100, numa corrida internacional. De referir, também o contributo dado ao desporto automóvel pelo, já várias vezes citado, industrial e volante portuense Eduardo Ferreirinha na construção de viaturas de corrida por si concebidas e equipadas com motores Ford V8, que constituíram a equipa Ferreirinha-Ford e participaram nas edições de 1936 e 1937 e que foram conduzidas pelo próprio, por Giles Holroyd e por Manuel de Oliveira (esse mesmo, o cineasta).

Aliás, os irmãos Manuel e Casimiro de Oliveira, alcançaram resultados interessantes em provas disputadas no estrangeiro,  por exemplo no Circuito da Gávea, no Brasil, em 1938, onde foram 3º e 5º classificados, respectivamente, em confronto com grandes volantes europeus, como o alemão Hans von Stuck e os italianos Brivio e Pintacuda.

Assim, na segunda metade das décadas de trinta e quarenta, apenas se realizaram no Porto, provas de estrada tipo rali que começaram a aparecer e a motivar a presença de volantes já conhecidos e de outros novos, como foi o caso de Clemente Meneres, Armando Gaio e Eugénio Teixeira. Os ralis eram, na altura, provas mais fechadas de competição, privilegiando o convívio entre os participantes e sem grande adesão de público na estrada, configurando-se a assistência, às chamadas, provas complementares. No entanto, este figurino terá começado a mudar, com a Volta a Portugal em Automóvel, organizada pelo Clube 100 à Hora de Lisboa, pela primeira vez em 1949, prova que se tornou emblemática no nosso país durante as décadas seguintes e que se tornou uma referência pela sua grande extensão, dureza e competitividade. Esta primeira edição da prova foi vencida por outro portuense, José Soares Cabral, em Allard que, no mesmo ano e na mesma viatura, foi o vencedor do Circuito de Vila Real para, no ano seguinte, se tornar ainda, Campeão Nacional de Rampas.

1º Grande prémio do Porto – 1954

Finalmente, chega a década de 50 que se reveste, para a cidade, de um muito especial significado no campo do desporto automóvel, já que foi aqui, no novo traçado do Circuito da Boavista, que entre 1950 e 1960 se disputaram as corridas mais importantes de sempre e, provavelmente, as que reuniram maior entusiasmo e maior assistência, em todo país.

Apesar da minha pouca idade nos anos em que se disputaram as primeiras edições, tive o privilégio de assistir a todas as provas que se realizaram nessa década, na Boavista, de que guardo ainda uma memória muito viva pela profunda emoção e saudade com que recordo esses momentos que, não tenho dúvidas, marcaram profundamente a grande paixão e entusiasmo que dedico ao desporto que, para mim, elegi.

Não me alargarei em pormenores e incidências das corridas pois, não terei aqui, espaço para o fazer. Gostaria, no entanto, de deixar um pouco da imagem que vivi nessas tardes. Durante as nove edições do circuito (ele não se efectuou nos anos de1957 e 1959), assisti às provas em três locais diferentes: em 1950 e 51 estive, na recta da Avenida; em 1952, 53, 54 e 55, na Circunvalação, num pinhal junto à primeira  curva; em 1956, 58 e 60 na tribuna das entidades oficiais, junto à linha de meta e boxes. Nas duas primeiras edições recordo a muito rápida passagem dos carros e o cheiro a óleo de rícino que ficava a pairar no ar e que, a partir daí sempre associei às corridas de automóveis. Lembro-me do carro dos vencedores, o enorme Alfa-Romeo  412 de Bonetto, muito barulhento, em 1950 e o muito mais moderno e elegante Ferrari 340 America de Casimiro de Oliveira em 1951. Aliás os Ferrari, começaram desde essa altura a povoar o meu imaginário, recordando desde logo o 166 MM de Braco  e a Berlinetta Touring do mesmo modelo da francesa Madame Yvone Simon que, na primeira edição, obteve um magnífico 4º lugar. Recordo as  passagens do inglês Wisdon, no seu  muito sereno Jaguar e dos pequenos carros dos construtores artesanais portugueses, como os FAP dos Palhinhas, Pai e Filho e o Dima de Júlio Simas. Mais tarde, documentei-me e soube que Bonetto partira da última fila da grelha por não ter feito treinos cronometrados, que cortou a meta desligado por ter ficado sem gasolina cem metros antes e que, chegou ao Porto  vindo de Milão sozinho, por estrada sem apoio e no próprio carro de prova, demorando cerca de 23 horas. Como foi possível?

Nas edições seguintes, segui já as provas com outro interesse e atenção, por ser mais velho e pelo local onde me situei e onde fiquei maravilhado  com a condução técnica e eficaz dos grandes campeões que foram Ascari, Castelotti,Villoresi, Biondetti, Behra, M. Gregory, Hamilton e Whitehead. Vibrei com as provas dos portugueses Casimiro,Vasco, Nogueira Pinto (outro portuense, vencedor em 1952). Adorei as corridas dos carros de menor cilindrada concorrentes à Taça Cidade do Porto e até admirei o arrojo e virtuosismo  dos homens das motas, o inglês Grace e o espanhol Ortueta. Só nesta altura, no fim das provas, me apercebi da dimensão do público presente e do entusiasmo e alegria que reinava naquele mar de gente.

Nas três ultimas edições, tive o ocasião de assistir  em 1956, à luta travada  pela liderança da prova entre o português Filipe Nogueira e o espanhol Marquês de Portago, ambos em Ferrari e na que foi, sem sombra de  dúvida, a melhor corrida que se disputou na   Boavista.

No ano de 1958 e pela primeira vez em Portugal a Fórmula 1. Tudo novo, tudo diferente. Os pilotos, os carros, a organização das equipas, tudo muito mais profissional. A corrida, inicialmente com algum interesse dada a proximidade entre os dois primeiros Moss, em Vanwall e Hawthorne, em Ferrari, cedo se tornou monótona, com  a paragem momentânea do segundo, que me pareceu forçada dado que, na box, o piloto apenas trocou impressões com o mecânico e seguiu sem qualquer intervenção. Vitória fácil de Moss e segundo lugar ainda conquistado por Hawthorne. Como é habitual nestas coisas quem está de fora, não se apercebe do que se passa e só no dia seguinte, pela comunicação social e sobretudo, mais tarde, pelas revistas da especialidade, é que soube do que se passara na última volta da corrida: Hawthorne falhara a travagem para a curva de entrada na Rua do Lidador, seguiu pela escapatória e aí inverteu o sentido da marcha regressando ao traçado mas percorrendo alguns metros em sentido inverso ao da prova no momento em que Moss, já vencedor e a fazer a volta de desaceleração, se aproximava do local. O comissário do posto reportou  o ocorrido à Direcção da Prova que, de acordo com os regulamentos, deveria desclassificar o infractor. Não o chegou a fazer porque Moss, apercebendo-se do sucedido, interveio em favor do seu compatriota, dizendo que assistiu à manobra e que Hawthorn inverteu a marcha, mas por cima do passeio, não infringindo os regulamentos. O piloto do Ferrari não foi excluído e, duas corridas depois, sagrou-se Campeão do Mundo com dois pontos de vantagem sobre Moss, o que não teria conseguido se tivesse sido desclassificado no Porto. Que grande exemplo e lição de desportivismo de quem é hoje… Sir Stirling Moss! Ainda na edição de 1958, admirei muito a vitória do então jovem Mané Nogueira Pinto, na corrida da Fórmula Junior, com um Stanguellini que nunca tinha conduzido e igual ao de todos os seus adversários. Um piloto portuense, como seu pai, e uma grande promessa que veio a conseguir muito bons resultados em Portugal e no estrangeiro

Última corrida de Fórmula 1 na Boavista em 1960. Confesso que não me lembro muito bem; a prova  foi um pouco confusa e foram vários os pilotos que passaram pelo comando até meio da corrida, altura em que J.  Brabham atacou e passou o então segundo classificado G. Hill. Pouco depois, Surtees que comandava, desistiu e deixou a vitória para o australiano que, aqui mesmo, alcançou o seu primeiro título de Campeão na Fórmula 1. Ironia do destino: Moss foi desclassificado por manobra idêntica à que Hawthorne cometera dois anos antes. Mário Araújo Cabral (Nicha) realizou uma corrida meritória no Maserati da scuderie Centro-Sud, para  o material de que dispunha, chegando a andar em 6º lugar, sendo no entanto forçado a desistir. Muito interesse nas corridas de apoio, com pilotos exclusivamente portugueses: na prova destinada às viaturas de Turismo, vitória do piloto portuense Manuel Sprateley, em Volvo PV 544, que realizou uma exibição homogénea e de bom nível; na categoria para as viaturas de Grande Turismo, vitória do piloto Jorge Moura Pinheiro que estreou nesta prova o novo Ferrari 250 GT Berlinetta, depois de alguma luta com o portuense António Barros que tripulou o seu habitual  Mercedes 300 SL e que, apesar da sua reconhecida combatividade, não logrou superiorizar- se ao seu adversário, devido ao melhor equipamento de que este dispunha.

Antes de encerrar a referência à saga da Fórmula 1, na cidade do Porto, queria prestar aqui a minha homenagem aos quatro pilotos portugueses que a atingiram, notando que três deles nasceram nesta cidade: Mário de Araújo Cabral, Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy (o único que não é portuense) e Tiago Monteiro.

G. P. Portugal – 1960

Terminada a época da Boavista, voltou-se uma página  do desporto automóvel no nosso país. O Porto ainda voltou a ter corridas num circuito citadino, criado para o efeito nos arruamentos da zona de Lordelo do Ouro, que se realizaram entre 1962  e 1966 e que foram as últimas corridas de velocidade realizadas na cidade até ao fim do século XX.  Juntamente com outros circuitos citadinos portugueses, como Vila do Conde, Vila Real, Montes Claros (Lisboa), Cascais , Granja do Marquês e, mais tarde, Autódromos Fernanda Pires da Silva (Estoril) e Vasco Sameiro (Braga) proporcionaram a uma nova geração de pilotos a sua integração no meio da velocidade nacional. Dela fizeram ou fazem parte, pilotos de grande valor, como os nortenhos Carlos Gaspar, Carlos Santos, Aquiles de Brito, João Carlos Ferreira de Moura, Cavagnac, Miguel Lacerda, Fernando e João Batista, Mário Gonçalves, Clemente Ribeiro da Silva, Edgar Fortes, Joaquim Moutinho, Álvaro Parente, Jorge e Alcides Petiz, Rufino Fontes, António e Carlos Rodrigues, Ni Amorim, Manuel Fernandes, Rui Lages, José Peres, António Barros, Pedro Salvador, Gonçalo Gomes, João Barbosa, José Pedro Fontes, entre outros.

Mas as décadas de 60, 70, 80 e 90 foram também muito marcadas pelas provas em estrada, vulgo Ralis.     No início deste período existiam nesta cidade, os seguintes Clubes com Alvará de Organizador de provas desportivas de automobilismo e karting: Académico Futebol Clube, Clube Nacional de Montanhismo, Estrela e Vigorosa Sport, Futebol Clube do Porto, Sport Comércio e Salgueiros, Sport Clube do Porto, a que se juntou o Targa Clube, a partir de 1967. Todos estes clubes organizaram provas  integradas  nos Campeonatos Nacionais de Ralis e de Montanha, Iniciados e Promoção, contribuindo para o lançamento e promoção de jovens e para a  progressão na carreira de carreira de pilotos consagrados.

Por outro lado, o figurino usado pelas duas provas de estrada, de referência no nosso país, a Volta a Portugal e o Rali Internacional Tap, este a partir de 1967, inspirou todos os outros organizadores que, em conjunto,  muito vieram valorizar a disciplina dos ralis, projectando a qualidade das provas para níveis apreciáveis. Também isso contribuiu  para  a enorme projecção da modalidade que, começou a levar muito público às estradas para ver uma nova geração de pilotos e as suas máquinas cada mais rápidas e sofisticadas. Nomes como os de António e José Pedro Borges, Rui Gonçalves, António Diegues, Joaquim Santos, Joaquim Moutinho, Jorge Ortigão, Manuel Inácio, António Coutinho, José Miguel Leite de Faria, Fernando Peres, Adruzilo Lopes, José Carlos Macedo, Miguel Campos, Pedro Matos Chaves e Armindo Araújo, para só citar pilotos do Norte do país.

E, porque o desporto automóvel, não se escreve só no masculino, gostaria de deixar aqui o nome das senhoras que também fazem parte da história do automobilismo desportivo, em Portugal: Maria de La Caze de Noronha, Palmira Coelho, Alice Reis Vale, Maria da Graça Moura Relvas, Maria do Céu, Maria Teresa Torres, Mercedes Guedes Geraldes, Gisele Barbosa Araújo, Manuela Souto, Rosário Sottomayor, Lígia Albuquerque e Sofia Mouta.

 

Exit mobile version