UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (94)

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CARROS E APARCAMENTOS
O PDM DO PORTO.
UMA IDEIA PARA CONCRETIZAR EM DEZ ANOS

São aos milhares os carros que diariamente entram na cidade do Porto. Uns por pouco tempo, outros pelo dia inteiro, e alguns só de passagem. Todos, no entanto, se confrontam com o mesmo problema; onde estacionar.
Ora, locais para estacionar, não há, ou não os há em número suficiente. Dessa forma, os automobilistas andam mais uns quantos quilómetros à procura de um buraco onde meter o carrito, e, numa grande parte dos casos, estacionam em local proibido.
Há até ruas, onde, dada a sua formologia, estreitas e quase sem passeios, podemos encontrar carros estacionados de cada um dos lados, deixando uma estreita nesga de terreno para os outros carros passarem. E isto sem falar das pessoas que, muitas vezes, precisam de andar pelo meio da rua.
Encontramos situações destas um pouco por toda a cidade.

Há pouco mais de um mês, fui assistir a uma sessão de consulta sobre a revisão do PDM, no Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, respondendo a um muito simpático convite do Presidente da Junta de Freguesia, Dr. Ernesto Santos. Foi uma sessão muito concorrida, e muito esclarecedora sobre as carências da Freguesia.
Durante a sessão, um grupo de alunas da Escola Alexandre Herculano, apresentou um estudo sobre a zona Oriental da Estação de Campanhã. O espaço está visivelmente degradado e enxameado durante todo o dia, com automóveis, que, à falta de outro espaço, ocupam todo o “buraquinho” que encontram para estacionar. Ora, esse grupo de alunas, após um aturado estudo, chegaram à conclusão, entre outras, que é premente construir um parque de estacionamento naquele local (preconizaram-no em altura), descongestionando e ordenando o trânsito, e possibilitando, nesse aspecto, uma melhoria da qualidade de vida dos habitantes e dos utentes daquela zona.

traseiras da Estação de Comboios de Campanhã
traseiras da Estação de Comboios de Campanhã

Em Setembro do ano passado, e a propósito de um plano de estrutura para a requalificação do espaço público da frente marítima do Porto, apresentei um estudo, que fiz chegar às Águas do Porto e à Apload (empresa que iria trabalhar o plano) onde, entre várias vertentes, se preconizava a construção de vários espaços para estacionamento (todos subterrâneos), tanto na Foz do Douro como em Nevogilde (alguns desses espaços de estacionamento, dois em seis, foram depois, propostos pelas Águas do Porto, aquando da apresentação do Plano para discussão pública).

Em duas sessões realizadas no Salão Nobre da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, em que estive presente, uma sobre o Plano de Estrutura para a Frente Marítima e outra sobre a Revisão do PDM, foram estes assuntos falados. Em ambos os casos foi a questão económica o principal empecilho à eventual construção dessas infra-estruturas. Defendiam alguns, que esses parques de estacionamento só poderiam ser construídos se fosse vantajoso para o investidor, e que tal não seria nunca evidente.

Tudo isto me confunde!
Toda a gente concorda que há horas e locais onde o trânsito é pouco menos que um caos. Toda a gente concorda que é vital resolver o problema do estacionamento na cidade.
Toda a gente aceita que uma das soluções para a resolução deste problema, será a construção de parques de estacionamento, retirando, assim, os carros da rua, dos passeios e dos outros locais proibidos.
Mas, pouco ou nada se faz sobre esse assunto.

Carros na Baixa do Porto
Carros na Baixa do Porto
Carros na Zona Oriental da Cidade do Porto
Carros na Zona Oriental da Cidade do Porto

UMA IDEIA PARA SER CONCRETIZADA NUMA DÉCADA.
Para uma melhor qualidade de vida, é urgente retirar os carros das ruas, tanto a circular como estacionados.
A construção de parques de estacionamento de automóveis na periferia do Porto, junto das estações de Metro e de Comboio, é já consensual.
Nas novas construções, as casas têm de ter garagem. Na recuperação de edifícios o espaço para garagem deveria ser obrigatório.
A construção de parques para automóveis de pequena e média dimensão, parques de proximidade (para os habitantes da zona que não têm garagem) a preços módicos ou mesmo muito reduzidos ou até simbólicos, deveria ser uma questão urgente e obrigatória para a CMP (com tantas casas devolutas, com tantos terrenos onde as casas não são mais que esqueletos, não deveria ser difícil o seu aproveitamento, nem que fosse temporário, para estacionamento).
Depois, numa fase complementar, mas evidentemente só depois destes parques estarem implementados, é necessária uma acção de propaganda bem elaborada, zona a zona da cidade, para informar e convencer os habitantes a disporem de pequenas verbas para terem o carro guardado sem ser à porta de casa. Após essas acções, competiria à Polícia Municipal, com a firmeza necessária, o impedir que se estacione em locais não permitidos.
Entretanto, outros parques de estacionamento poderão e deverão ser construídos, de preferência subterrâneos, para que a visão das pessoas não seja perturbada pelos veículos.
A partir daqui, novos espaços públicos poderão surgir. Haverá mais espaço para os habitantes, os passeios poderão ser mais largos, poder-se-ão plantar mais árvores. Andaremos mais desafogados.
Com isto a qualidade de vida melhora!

DESTA FORMA
Passaremos a ter mais um motivo de orgulho na nossa cidade, a juntar a tantos outros. Os nossos visitantes olharão para nós com olhos de inveja (salutar, claro!). Teremos mais um motivo para que novos habitantes queiram vir viver para cá. Seremos uma cidade modelo.

Não sei se alguma vez se irá fazer o parque de estacionamento nas traseiras da Estação de Campanhã, e, se se chegar a fazer, se o grupo de alunas que o apresentou em Lisboa e no Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, chegará a ter o reconhecimento público que merece.
Não sei se se irá fazer um parque de estacionamento na Foz do Douro ou em Nevogilde, qualquer que ele seja.
Não sei se se irão fazer parques de proximidade para os cidadãos que não tenham garagem.
Não sei se irão fazer parques na periferia da cidade para incentivar a que se usem os transportes públicos.
Sei que seria muito bom que a Câmara Municipal do Porto pensasse nisto e o colocasse no seu Plano Director Municipal.

 

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