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EDITORIAL – CRUZAR OS BRAÇOS NÃO LEVA A NADA

Quase todos andamos insatisfeitos. E infelizes. Dizem-nos vários estudos, dizem-nos as notícias. Diz-nos o nosso próprioImagem2 sentimento. Perante isso, temos duas possibilidades: – Há quem se submeta e aceite tudo o que nos é perversamente imposto – cruzando os braços, mas continuando a queixar-se. Nesse caso, não se podem lamentar. – Há quem reaja das mais variadas formas – umas com consequências mais visíveis, outras mais discretas, não se conformando com a perversidade do que vai acontecendo.

Temos tido, recentemente, exemplos deste último grupo. Os trabalhadores e pensionistas ferroviários concentrados no exterior da estação de Santa Apolónia, tiveram que se confrontar com a polícia.

A greve dos estivadores, resultado da aprovação pelo Governo de uma proposta de lei relativa ao regime do trabalho portuário, uma semana depois de ter chegado a acordo com alguns sindicatos, afetos à UGT, e operadores portuários, com o objetivo de aumentar a competitividade dos portos nacionais, teve uma adesão total.

Lá por fora, a Espanha agita-se à volta da tentativa do retrocesso na lei do aborto. Amira Yahyaoui, deputada da Assembleia da Tunísia, não se cala e torna público tudo o que se vai passando lá dentro, na defesa de uma Constituição digna.

Há 20 anos Nelson Mandela era eleito Presidente da África do Sul, no culminar de uma longa resistência inabalável, abrindo as portas a uma nova fase desse país. Um dos maiores exemplos de que cruzar os braços não leva a nada.

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