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Cidade – luz, sombra e palavras – 3 – Barcelona – fotografias por Fábio Roque

Imagem1Parecerá insólito que da beleza imensa de Barcelona, Fábio Roque tenha elegido imagens que fogem ao que por norma os fotógrafos procuram – a face luminosa das cidades. Nos textos que escolhemos para ilustrar as duas fotografias, Manuel Vázquez Montalbán e Mercè Rodoreda, dois escritores barceloneses, falam de uma cidade que respira fora das Ramblas, do Passeig de Gràcia e de toda a Barcelona que habitualmente se mostra. Tal como as pessoas, as cidades têm as suas zonas sombrias. Manuel Vázquez Montalbán fala-nos da pedinte infeliz e suja – Um papelão a seu lado contava a história de um marido canceroso e de uma situação de extrema necessidade que reclamava a esmola dos transeuntes. Pedinchões, desempregados, seguidores do Menino Jesus e da puta que os pariu. A cidade parecia inundada de fugitivos de tudo e de todos. (1)

E se os pombos saíram do pombal e se os deixámos voar foi por culpa do Cintet, que disse que os pombos tinham de voar, que não foram feitos paara viver entre cancelas, mas sim para viver entre o azul— E escancarou-lhes a porta e o Quimet com as mãos na cabeça, parecia de pedra, não tornaremos a vê-los.

Os pombos, muito desconfiados, foram saindo do pombal, uns atrás dos outros, com medo de daírem numa armadilha. Alguns, anates de levantarem voo, subiam ao corrimão da grade e faziam um areconhecimento. Acontecia que não estavam habituados à liberdade e tardavam em voar. (2)

1.Manuel Vázquez Montalbán, Os Mares do Sul , tradução de António José Massano.

2- Mercè Rodoreda – A praça do diamante, tradução de Mercedes Balsemão.

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