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A corrupção passou dos médicos para as farmácias… – por Octopus

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Com a prescrição de   medicamentos por DCI (Denominação Comum Internacional), isto é pelo nome da   molécula em vez da marca, a corrupção em Portugal passou dos médicos para as   farmácias.

Há vinte anos atrás,   os laboratórios farmacêuticos aliciavam os médicos com os seus medicamentos   de marca, através da sua promoção e respectiva prescrição, em troca de bens   materiais que iam de uma simples caneta até electrodomesticos e viagem de   sonho. Não era raro os   médicos serem visitados por uma dezena de delegados de informação médica   antes da suas consultas com essas aliciantes propostas em troca de umas   dezenas de prescrições.

O problema não seria   grave se alguns desses médicos se limitassem a prescrever uma determinada   marca para uma mesma patologia em detrimento de outra. O problema é que para   atingir um certo numero de embalagens, muitos não hesitavam em prescrever um   medicamento inútil para a doença do doente (com os seus devidos efeitos   secundários) quando éticamente não o deveriam fazer. Este tipo de corrupção   existiu, todos sabemos, apesar de pelo peso do lobby médico existente,   raramente tenha sido comprovado.

Nos últimos anos foi   incrementada a prescrição por DCI com inegáveis benefícios para os doentes,   pela baixa do preço dos medicamentos, mas também para as farmácias. Com efeito, agora são   as farmácias que decidem, em grande parte, qual o genérico que vendem, e esse   facto faz com que tenham vantagens financeiras em vender um determinado   genérico em detrimento de outro.

Um dos problemas dos   numerosos genéricos colocados no mercado é que muito têm uma origem duvidosa,   apesar da Infarmed nos dizer que são seguros e bioequivalentes em relação aos   medicamentos de marca. Tudo se passa nas   farmácias como na concorrência entre a Coca-cola e a Pepsi-Cola nos   restaurantes: se vender Coca-Cola (em vez da concorrente) terá 3 de borla por   cada 10 vendidas. Então o restaurante, tal como a farmácia, escolhe a marca   que lhes é mais rentável.

É tão simples quanto   isto, a corrupção transferiu-se dos médicos para as farmácias. Agora, cada   vez mais delegados de informação médica “dedicam-se” às farmácias   em vez de visitar os médicos.

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