Site icon A Viagem dos Argonautas

POESIA AO AMANHECER – 390 – por Manuel Simões

 poesiaamanhecer

AMIRI BARAKA

 (1934 – 2014)

            CONTRATO (fragmento)

            Carne, automóveis, alcatrão, cavavam agulheiros

 por detrás da pedra

            uma grosseira hierarquia de dinheiro, serrotes sem fim

            anulam a música, o sentimento. Até o discurso

                        corrói. Cheguei aqui

            de onde estava sentado com minhas veias fervendo, medo frio

            à morte dos homens, à morte do saber,

            com medo frio, até ao meu. Vestidos

            românticos da mesma morte,

            vazio na esquina, vazio quando eles levantam os dedos

            Corações que juraram, cambalearam na carne escura

                        tão maravilhosas

            são as suas mentiras. Tão completo, seu domínio,

            destes negros estúpidos. Os autofalantes

                        matam-se entre si, e não fazem

            a simples viagem a Tiffany. Não destruirão as suas

            cabeças inoxidáveis contra o impudor simples

            de um código tão duro como as ganâncias.

            ……………………………………………

            (de “Poesia Negra”, versão de MS).

Poeta, dramaturgo e crítico musical americano, ligado à Geração Beat. Pseudónimo de Everett LeRoi Jones. Militante dos movimentos negros combativos. Publicou várias obras, entre as quais “O Conferenciante Morto” (1970).

 

Exit mobile version