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EDITORIAL – AINDA O MANIFESTO DOS 70

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Não há dúvida que o Manifesto dos 70 incomodou o governo Passos/Portas, e muitos dos seus amigos (talvez fosse mais adequado chamar-lhes sequazes). Incomodou também, ao que tudo indica a troika e os seus patrões (claro que o governo Passos/Portas também se inclui nestes). Haver tanta gente incomodada só prova que acertou no alvo. E não podem querer andar mais vinte ou trinta anos no estilo destes últimos tempos. A não ser que queiram mesmo que emigremos todos, ou descubram como se vive só do ar. O problema, neste último caso, é que passariam a cobrar-nos uma taxa pela respiração.

Talvez alguns leitores considerem a resposta acima desabrida, ou de quem já não quer debruçar-se a fundo sobre o assunto. Pedimos que acreditem que não é o caso. Há que considerar que as políticas dos últimos tempos, as tais que têm posto Portugal melhor, mas não os portugueses, para citar o dr. Montenegro, são obviamente da responsabilidade de pessoas que não medem as consequências do que estão a fazer. Ou então são-lhes indiferentes.  Entretanto estas mesmas pessoas procuram passar o ónus da irresponsabilidade a quem a eles se opõe. Chegam mesmo a propor que têm de dar o lugar aos mais novos. A pensar nas reacções do FMI, de Bruxelas, de Washington? Talvez. Mas estão sobretudo a pensar nas opções dos votantes, nas próximas europeias. E os novos em que estão a pensar não são com certeza os desempregados, ou os emigrantes. Serão sobretudo os jovens saídos das academias partidárias dos partidos da coligação.

É claro que nem o governo, nem os seus amigos de dentro e de fora, acreditam que a dívida pública portuguesa possa alguma vez ser paga. Nem o tencionam fazer. A dívida pública funciona como arma política para condicionar o povo português. O Manifesto dos 70 é perigoso  para quem tenta manter esse condicionamento, porque mostra que não deve ser tratada como uma vaca sagrada. Põe assim em causa quem se serve da dívida pública como arma. Amanhã, numa campanha eleitoral virão dizer que uma mudança de governo será perigosa por causa da reacção dos mercados, ou porque a Angela Merkel pode ficar ofendida.

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