EDITORIAL: O QUE É QUE REALMENTE SE TERÁ PASSADO NO DIA 14 DE NOVEMBRO?

 

A manifestação do dia 14 acabou mal. Após os discursos, tendo a entidade promotora, a CGTP, cessado a sua intervenção, começou-se a assistir a um espectáculo, com direito a directo na televisão, de umas dezenas de polícias, colocados nas escadarias de S. Bento, a serem apedrejados a curta distância por uns cavalheiros (talvez algumas senhoras também, mas a maioria eram senhores, pelo que se conseguia ver), alguns com a cara tapada, sem  uma reacção imediata da parte dos agredidos no sentido de pôr termo à façanha. Entretanto, cerca de uma hora depois, uns reforços da parte da polícia investiram sobre os manifestantes, dispersando-os e desencadeando uma acção de perseguição, que se terá prolongado pelas ruas vizinhas, e não só. Há notícias de pessoas espancadas e detidas, não só por polícias com os seus uniformes, mas por polícias à civil, em locais já afastados de S. Bento. Pelas informações que chegam, houve detenções arbitrárias e pessoas feridas, a necessitaram de tratamento. Parte destas pessoas não teria estado na manifestação, sequer.

São constantes as declarações por parte de entidades oficiais, e de entidades não oficiais, deplorando as manifestações, embora depois declarando que não está em causa o direito à greve, à manifestação, etc. Pelas ocorrências no dia da greve geral, não será exagerado concluir que houve quem se tenha excedido. E não foram os promotores oficiais da manifestação ou da greve geral. Parece sim, haver quem não queira que as pessoas compareçam nas próximas manifestações. É que sabem que isto ainda vai piorar mais (perdoem a expressão, mas é o que dá ideia) e que estamos cada vez mais preocupados. E não querem que se diga que afinal somos a maioria. Manifestações grandes e muito participadas dão essa ideia. Incómoda, pelo que se vê.

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