Este manifesto saído ontem responsabiliza apenas os seus signatários, como todos os manifestos e abaixo-assinados. Contudo nem os que dele totalmente discordem, como é o caso de Passos Coelho e dos membros do seu governo poderão sinceramente negar a sua importância. Não só por reunir pessoas de tão diferentes quadrantes políticos, mas também por pôr em causa uma vaca sagrada da política de austeridade, aliás a vaca sagrada suprema, que diz respeito à intocabilidade (para não dizer irrevogabilidade…) do princípio de pagar a dívida pública, prioritariamente a todos os outros.
O manifesto, ao fim e ao cabo, fala apenas da reestruturação da dívida. Chega numa altura importantíssima, quando parece que a troika nos vai deixar. Parece que alguns dos nossos responsáveis, incluindo o presidente da república e membros do governo, defendem a continuação da sua acção por outros meios, como seria o caso da aplicação um programa cautelar. Esta questão continua no segredo dos deuses, mas há razões para acreditar já estar decidida, e que a proximidade das eleições europeias constitui um obstáculo à sua revelação ao comum dos cidadãos. Um programa cautelar exclui obviamente uma reestruturação da dívida, que teria de ser negociada por pessoas completamente diferentes dos elementos que actualmente integram o governo, que sejam capazes de enfrentarem as instâncias internacionais de igual para igual, e não com a subserviência que tem sido característica do actual.
O manifesto dos 70 tem objectivos muito moderados, e pronuncia-se apenas sobre o que obviamente tem de ser feito no curto prazo. A dívida pública tem sido um garrote insidioso para os portugueses, martirizando-os material e psicologicamente. Este governo conseguiu convencer muitas pessoas de que todos somos igualmente responsáveis por ela, o que é redondamente falso, e que falar numa reestruturação seria próprio de caloteiros. As pessoas que vêm falando já há tempo da necessidade de reestruturar a dívida foram diabolizadas, mas agora este manifesto é uma ajuda para ultrapassar essa crença astuciosamente incutida. Falta agora passar a outra etapa: a da compreensão alargada de como se chegou a esta situação. Etapa essencial, para que não se volte a repetir a situação horrível em que nos meteram.
Ontem completaram-se 39 sobre o 11 de Março de 1975, momento alto da Revolução de Abril, acontecimento ultimamente pouco recordado. É verdade que num dia acontecem coisas boas e coisas más. Em 11 de Março de 2004 aconteceram em Madrid os horríveis atentados da Atocha, que concitou uma repulsa generalizada, e que o governo de Aznar tentou explorar em seu proveito. Os 70 que assinaram o manifesto de que falamos neste editorial não terão opiniões idênticas sobre o 11 de Março de 1975 português, mas juntaram-se para fazerem um documento moderado, mas muito importante. Claro que não vai ser este governo a aplica-lo. As pessoas que o integram não têm para isso a estatura necessária.
Para ler o texto completo da Manifesto dos 70 e saber quem são os signatários vá a:
http://www.esquerda.net/artigo/manifesto-pela-reestrutura%C3%A7%C3%A3o-da-d%C3%ADvida/31694


Manifesto dos 70? … Dos 70?
Então e os milhões de portugueses que o apoiam (ao manifesto e aos 70 que o subscrevem)?
Sim! Somos milhões de portugueses – é que ao contrário do que nos impingem, não somos um país “piqueno” na Europa. “Piquena” é a Irlanda, a Holanda, a Bélgica…
Um manifesto incomodativo -A sede do poder inaudita -No passam de ……………………………………marabuntas -Maria [image: Imagem intercalada 1]