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DO LIVRO AO TEATRO – “A INSTALAÇÃO DO MEDO” DE RUI ZINK por Clara Castilho

Uma co-produção da Companhia de Teatro Salomé e São Luiz Teatro Municipal, apresenta a peça “A instalação do medo”, baseada no romance homónimo de Rui Zink. A peça está em cena desde dia 13 no São Luiz, em Lisboa, abrindo a programação do teatro dedicada aos 40 anos do 25 de Abril. A encenação de Jorge Listopad, interpretação de Diogo Dória, José Artur Pestana e Joaquina Chicau. O espectáculo pode ser descrito como um acto simbólico e político sobre a actualidade. Há oito representações programadas até ao próximo dia 22.

Jorge Listopad conta já com 92 anos mas ainda continua trabalhando com toda a “garra”. O seu último trabalho tinha sido “Meu tio Jaguar”, Baseada na obra do autor brasileiro João Guimarães Rosa, no Teatro Nacional D. Maria II no verão de 2012.

A peça poderá ser vista nos dias 13, 14, 15, 18, 19, 20, 21 E 22 ÀS 23H30   no Sub-Palco.

Sinopse: Ouve-se o elevador a subir e a campainha que soa na casa de uma mulher que vive sozinha com uma criança. Quando alguém nos bate à porta, abrimos ou não. A mulher abre a porta porque tem medo. Entram dois homens: o controlador, o chefe, eventualmente sedutor, e um operário, um falso bruto. Trazem uma missão importante: cumprir a directiva governamental que impõe a instalação do medo em todos os lares num curto prazo de tempo estipulado pela lei.

Em entrevistas ao Jornal de Letras Jorge Listopad disse: “O título atraíu-me, desde logo. É extremamente provocatório e actual. O romance mostra o que o medo faz connosco. É uma peça política, poética, tout court dramática. Desenrola-se no subsolo do Teatro São Luiz, portanto, não tem nada do conforto moral e existencial que normalmente se encontra numa ida ao teatro.  Porquê essa opção? A minha intenção não foi ‘surpreender’ o espectador. Antes mostrar que o teatro de conforto já não me interessa. Normalmente, quando vamos ao teatro, sabemos o que nos espera: temos cadeiras; o nosso lugar marcado; sabemos que vamos lá estar mais ou menos duas horas, etc. Aqui, não. O espectador não sabe exatamente ao que vai e há nisso uma espécie de insegurança que também cria medo.  Além da sala, o horário também é invulgar. Às 23 e 30, mais tarde que o habitual…  Creio que assim o público vai ver o espetáculo mais ‘preparado’ para captar esta realidade do medo, precisamente por não ser o horário normal. Foram decisões que me pareceram lógicas, orgânicas e corretas. Não é provocação. É vocação (risos). […] Tentei ao máximo não mudar o estilo do Rui Zink. Quis criar uma peça curta, pegando naquilo que o romance tem de mais pertinente e atual. No fundo, quis transformar um texto dos nossos dias numa peça dos nossos dias. Isto é: pouco conformista. […] É uma peça política, porque todos nós somos políticos. Temos opiniões sobre o que se passa em Portugal e no mundo. Nesse sentido, é um texto que se concentra na opinião do que se passa. Mas não é só. As personagens também têm interesse em mostrar quem são”.

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