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EDITORIAL – DEVEMOS SER NACIONALISTAS?

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Os jogos com as palavras nem sempre são inofensivos. Por vezes a má compreensão sobre o sentido e o alcance que se dá a um determinado termo pode ajudar a transmitir ideias erradas. É o caso do nacionalismo. Se alguém achar que uma coisa tão importante como a valorização da sua cultura, da sua origem ou da sua terra faz com que se possa sentir superior a outrem, poderá colocar-se a si e a outros em conflitos graves. Pergunta-se: o nacionalismo é uma coisa boa ou má?

O problema do nacionalismo está a reaparecer por todo o lado na Europa. Aqui ao lado, no reino espanhol, na Catalunha, fala-se em fazer um referendo para auscultar os seus cidadãos sobre a independência. E, no chamado Reino Unido, em Setembro vai-se fazer mesmo um referendo sobre a independência da Escócia. A necessidade de se procurar entender melhor o conceito de nacionalismo está na ordem do dia, até porque qualquer passo que se dê no campo da política tem sempre implicações, e estas vão por vezes por caminhos diferentes dos que inicialmente se previam. Permitam que vos sugira a leitura do texto I’m a Nationalist, de David Morgan, saído no site Bella Caledonia, favorável à independência da Escócia, tanto quanto nos foi possível compreender. O link é este:

http://bellacaledonia.org.uk/2014/04/03/i-am-a-nationalist/

A União Europeia, talvez seja melhor dizer a Comissão Europeia, que ainda lá tem o “nosso” Durão Barroso, tem tomado posição contra estas manifestações. Já referiu em relação tanto à Catalunha como à Escócia, que, se optarem pela independência, ficarão automaticamente excluídas da organização. E que a readmissão será um processo complexo. Claro que aqui também se trata de uma questão susceptível de ser vista de diversas maneiras. Mas a maneira como a questão foi abordada pelas altas autoridades europeias autoriza a dizer que não são favoráveis a este tipo de manifestações. Não será difícil descobrir diferenças entre esta atitude e a tomada, por exemplo, no caso do Kosovo. Também por isto, será de toda a vantagem debruçarmos cada vez mais sobre esta questão de se devemos ser nacionalistas. Ou patriotas, tendo aqui em atenção que David Morgan, para o continuarmos a citar, rejeita pertencer a esta segunda categoria. Será diferente ser nacionalista, de ser patriota, como ele diz? Uma coisa é certa: não é apenas uma questão de semântica.

 

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