EDITORIAL – O REINO UNIDO SERÁ EUROPEU?

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Parece que David Cameron está na disposição de dar que fazer à comunicação social. Sem dúvida que pressionado por maus resultados eleitorais, tomou de ponta a indigitação de Jean-Claude Juncker para Presidente da Comissão Europeia, na sequência de o Partido Popular Europeu ter sido o mais votado nas últimas eleições europeias. Teme sem dúvida a ascensão do UKIP, partido teoricamente à sua direita, e decididamente desfavorável à União Europeia. Como Juncker é federalista, Cameron ameaça com um referendo sobre a continuação da Grã-Bretanha na União Europeia. Corta assim as vazas ao UKIP, põe a União Europeia em sentido, não vá Angela Merkel julgar que pode fazer tudo o que lhe der na gana.

Alimentando alguns fantasmas que ainda vão subsistindo do tempo do Império, talvez entoando o Rule Britannia, e simultaneamente procurando demonstrar aos Estados Unidos que a aliança com eles é preferencial, enquanto não conseguem implementar o TAFTA, porque depois, ao que julgam, ficam uma data de coisas garantidas, Cameron procura assim enfraquecer a organização europeia. Invoca para o efeito as convicções federalistas de Juncker, as quais, se alguma vez fossem postas em prática, poderiam levar ao reforço político da unidade europeia (esmagando evidentemente as nações mais pequenas), podendo assim vir a fazer concorrência significativa a Washington. Entretanto, com este jogo político procura também fazer pressão sobre os independentistas escoceses e os partidários da reunificação da Irlanda, mostrando a estes que a Grã-Bretanha continua a ter um peso político considerável, e que a insistência na realização dos seus sonhos poderá ser muito difícil, senão impossível, até por falta de apoio na Europa e nos Estados Unidos.

Entretanto, os problemas na Ucrânia vieram possibilitar o reforço da influência norte-americana na Europa, ofuscando assim as pretensões alemãs de exercer uma influência predominante nas relações leste-oeste, e reforçando os sectores britânicos anti-europeus. Por outro lado, os responsáveis do Reino Unido vão continuando a alimentar a ideia de que este ainda disfruta de um peso decisivo à escala internacional, na continuação dos antecessores, desde Margaret Thatcher e Tony Blair.

 

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