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POESIA AO AMANHECER – 417 – por Manuel Simões

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ÂNGELA VARELA

 ( 1938 )

            CORPO – ILHA

            Um espaço circular – a piscina, com todos os corpos

            estendidos em volta. Os olhos são líquidos, o peso das

            palavras dilui-se. O corpo é lavado no banho da ilha.

            Enrolados na brisa que penetra pelos poros e jorra

 

            pelas narinas, pelos ouvidos. Como a água pela estátua

            recostada no seu ilhéu a meio do lago.

            As gravuras de ilhéus desenhados à pena, com toda

            a minúcia da mancha, da massa, da linha. Com o mar da tela

            e o litoral da moldura em volta.

            As casas com portas e janelas emolduradas em cantaria rija,

            no meio do jardim de canteiros redondos – ilhas

            plantadas dentro da ilha.

            O corpo, a fala, o olhar – estátua isolada com o

            mar em volta.

            1.8.90

            (de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)

Poetisa, ensaísta e cronista. Os seus poemas estão publicados em vários jornais e revistas (“Diário Popular”, “Diário de Notícias”, “Colóquio/Letras”, “Sílex”, “Nova Rnascença”, “Atlântico”) e em volumes colectivos como “Ilha 3” (1991) e “Ilha 4” (1994).

 

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