POESIA AO AMANHECER – 424 – por Manuel Simões

                                  poesiaamanhecer

                                   JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES

                                               ( 1954 – 2005 )

            NO ENCLAVE DOS CORPOS

 

            Eis no enclave dos corpos o silêncio

            onde mora um suspiro inaudível do prazer

            longínquo, olvidado nas marés dos tempos.

 

            Chegados que somos à fronteira calamos

            a voz que nos enche o pulsar

            da garganta súbita de velhos pergaminhos.

            E perguntamos: porque voam alguns pássaros

            sozinhos?

 

            É a sina da busca. O imperativo da essência

            do que não é comum. E por ser fundamental,

            todos os mortais caçadores de experiências abstractas

            acabam por desistir da jornada.

            Cedem apenas à descoberta da importância na poesia

            das rimas exactas.

            (de “Esquivas são as Aves”)

Editor, jornalista e poeta. Fundador e coordenador do movimento “Ilha”. Organizou os volumes colectivos de poesia “Ilha” (1975), “Ilha 2” (1979), “Poet’Arte ‘90” (1990), “Ilha 3” (1991), “Ilha 4” (1994). Da sua extensa obra poética citam-se aqui: “É Madrugada e Sinto” (1974), “A Crista de Neptuno” (1975,com prefácio de Natália Correia), “Os Pássaros Breves” (1995, com prefácio de João Rui de Sousa), “À Espera dos Deuses” (1999), “Esquivas São as Aves” (2001) e “As Sombras no Arvoredo” (2004).

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