ÂNGELA VARELA
( 1938 )
CORPO – ILHA
Um espaço circular – a piscina, com todos os corpos
estendidos em volta. Os olhos são líquidos, o peso das
palavras dilui-se. O corpo é lavado no banho da ilha.
Enrolados na brisa que penetra pelos poros e jorra
pelas narinas, pelos ouvidos. Como a água pela estátua
recostada no seu ilhéu a meio do lago.
As gravuras de ilhéus desenhados à pena, com toda
a minúcia da mancha, da massa, da linha. Com o mar da tela
e o litoral da moldura em volta.
As casas com portas e janelas emolduradas em cantaria rija,
no meio do jardim de canteiros redondos – ilhas
plantadas dentro da ilha.
O corpo, a fala, o olhar – estátua isolada com o
mar em volta.
1.8.90
(de “Poetas Contemporâneos da Ilha da Madeira”)
Poetisa, ensaísta e cronista. Os seus poemas estão publicados em vários jornais e revistas (“Diário Popular”, “Diário de Notícias”, “Colóquio/Letras”, “Sílex”, “Nova Rnascença”, “Atlântico”) e em volumes colectivos como “Ilha 3” (1991) e “Ilha 4” (1994).

