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EDITORIAL – O problema é nosso.

Imagem2Os poderes que regem a nossa República emanam da vontade popular expressa no voto livre em eleições livres e democráticas. Presidente da República, presidente da Assembleia da República e chefe do Executivo governamental, são credores do respeito   que a dignidade das suas funções exige. Mas será que eles respeitam essa dignidade?

 Num desassombrado comentário ao editorial de ontem, o argonauta Paulo Rato colocava o que designou por «questões literário-científicas», perguntando de que manicómio ou instituição beneficente se evadiu o Secretário de Estado da Cultura e como conseguiu atingir o grau de idiotia e sabujice evidenciado na intervenção de atribuição de um prémio literário? Pergunta cuja pertinência se mantém se a aplicarmos à presidente da Assembleia da República e à sua frase «o problema é deles, resposta à posição dos «militares de Abril»-

Diz-se que Assunção Esteves se reformou por enfermidade do foro psiquiátrico. Se é verdade, estranha-se que a incapacidade que a impossibilitou de prosseguir a sua carreira profissional, não a tenha impedido de exercer a segunda magistratura mais importante na hierarquia do Estado. Também é verdade que quem exerce a primeira tem evidenciado um desfasamento moral e um défice cultural que o deveriam incapacitar para exercer essas funções. Para não falar nas relações que segundo tudo indica manteve com a polícia política da ditadura. Falando do «terceiro poder», o Executivo, está também entregue a alguém que exerce o cargo da forma que sabemos e que sentimos – equilibrando o OE com um princípio a que poderíamos chamar «a inversa de Robin Hood».

De onde saem estes exemplares? Todos da mesma toca, na lisbonense rua de Buenos Aires. Ali se alaparam os órfãos da União Nacional. Mas Assunção Esteves acaba por ter razão – «o problema é deles!», dos militares que restituíram a democracia à Nação e dos eleitores que, ao exercerem livre e democraticamente o seu direito de voto, elegem inimigos do poder democrático. O problema é nosso.

E que problema!

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