EDITORIAL – NÃO HÁ PIOR POLÍTICA DO QUE A POLÍTICA DO PIOR

 Imagem2O reitor da Universidade de Lisboa habituou-nos ao seu discurso sereno e à lucidez da sua análise. Criticando a decisão de submeter todas as despesas à apreciação prévia de Vítor Gaspar, lembra que «é justamente nestas situações» de «crise gravíssima» que se «exige clareza nas políticas e nas orientações». E, embora seja preciso poupar, as instituições têm de continuar a funcionar. Segundo o reitor, o despacho de Vítor Gaspar provoca «o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático». (…). «O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção» (…)«Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for», conclui. Dando como um de vários exemplos a impossibilidade de comprar comida para as cantinas sem autorização, o reitor pergunta se «é assim que se resolvem os problemas de Portugal?» e aponta que «no caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro». (…)«Não há pior política do que a política do pior.»

Plenamente de acordo. Esta medida do ministro das Finanças é uma birra, uma represália contra o acórdão do Tribunal Constitucional. E vamos ver com que critério as despesas serão cortadas ou autorizadas. Por exemplo – como vão deslocar-se ministros, deputados, altos funcionários? As vituras topo de gama vão ser retiradas de serviço ou os cortes vão ser mais nas cantinas escolares?

Temo-lo dito – as medidas de austeridade teriam alguma razão de ser se tivessem começado com auditorias a fortunas surgidas do nada, inviamente forjadas em derrapagens das obras públicas, em especulações bolsistas, em negócios obscuros em que se usmiram dinheiros públicos – porque o grande buraco financeiro não foi criado por quem o está a pagar – pensionistas, reformados, desempregados. Com um dos piores níveis de vida da União Europeia, como podem os portugueses ser acusados de ter vivido acima das suas possibilidades?

Veio-nos hoje parar às mãos esta foto do primeiro-ministro britânico, David Cameron, deslocando-se de metro (e, neste dia, não encontrou sequer lugar sentado). E diz-se – Em Portugal isto não seria possível…

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Errado!
Teófilo Braga, Presidente da República Portuguesa, ia de eléctrico de sua casa para o Palácio de Belém – aproveitando a viagem, tal como Cameron, para ler o jornal. Ainda na primeira República, quando o Presidente António José de Almeida foi em visita de Estado ao Brasil, por ocasião do I Centenário da independência do país irmão, sua esposa não o acompanhou. Porquê? A primeira dama não tinha o guarda-roupa necessário para ir às cerimónias com a dignidade exigida. Ser o erário público a pagar o seu vestuário estava fora de questão.

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Mas isto foi no caos da Primeira República. Antes de um ministro das Finanças, vindo de Coimbra, ter começado uma política de austeridade que manteve o País na cauda da Europa – não permitindo que se gastasse acima das possibilidades.

1 Comment

  1. Vou postar no facebook -Servir uma etapa de vida .Tirar dividendos uma forma de explorao satnica . -aquela que estamos a viver desalmadamente . Maria S

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