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CARTA DE VENEZA – 82 – por Sílvio Castro

veneza

 30 anos da morte de Enrico Berlinguer

 

                Enrico Belingher, nascido em Sassari, na Sardenha, no ano de 1922, faleceu a 21 de junho de 1984. Quatro dias antes, durante um comício em Pádua, fora acometido por um ictus. Os funerais, entre os mais concorridos publicamente na Itália, realizaram-se aos 13 de junho daquele mesmo 1984 diante de uma multidão de quase dois milhões de pessoas. Antes deste histórico evento, a 26 de agosto de 1964, Roma assistira aos funerais de Palmiro Togliatti, como Belingher, então secretário-geral do PCI-Partido Comunista Italiano, diante de uma multidão de um milhão de partecipantes.

             No post-guerra 45, Belingher é o terceiro secretário-geral do PCI, sucendo no cargo a Pietro Longo e Palmiro Togliatti, isto a partir de 1972.

             Substituir um lider histórico, como Togliatti, não era uma ação simples, pelo muito que a guia togliattiana trouxera para o movimento comunista na Itália. Mas, Enrico Belingher se diferencia inteiramente de seu mais próximo antecessor como secretário-geral, pois imediatamente se declara anti-estalinista, propondo uma autonomia absoluta do PC central e estabelecendo as novas linhas para o Partido na Itália. Será uma grande revolução que dará tanto ao Partido, quando ao país, denotações democráticas que fazem do PCI o mais moderno dentre os partidos comunistas internacionais.

             Porém, não somente contra a linha estalinista se manifesta o novo secretário-geral, mas a sua linha ideológica se opõe igualmente à maior parte das lições do leninismo:

                    “Lenine identificou o partido com o Estado; nós renegamos completamente esta tese. Lenine sempre sustentou que a ditadura do proletariado é uma fase necessária para o percurso revolucionário; nós renegamos esta tese que desde há muito não é a nossa; Lenine sustentou que a revolução tem duas fases separadas nitidamente: uma fase democrático-burguesa e sucessivamente uma fase socialista. Para nós, invés, a democracia é uma fase de conquistas que a classe operária defende e propaga, portanto um valor irreversível e universal que deve ser garantido no ato de construção de uma sociedade socialista. “

             Com Lenine, Belingher é de pleno acordo quando o lider da Revolução afirma a necessidade das alianças em seio à classe operária, assim quando o mesmo mostra total confiança numa natural evolução reformista.

             Para chegar a tais e revolucionárias convicções, Enrico Belingher tem uma intensa formação interna ao PCI, ao qual adere em 1943, fazendo-se secretário dos jovens comunistas italianos em 1949. A partir de 1972, ele modifica a atmosfera política italiana com a famosa teoria do “ compromisso histórico “, com a sustentação do governo democrata-cristão de Giulio Andreotti e a ruptura com a URSS. Porém, em 1978 a sua tentativa de levar o PCI a entrar no governo de Aldo Moro não se cocnretiza, o que está em direta relação com todos os trágicos fatos que logo em seguida acometerão o lider democrata-cristão. Mas o PCI, eleitoralmente, cresce sempre com as idéias do secretário Berlingher. O mesmo que, a partir de 1981, diante da atmosfera negativa que se propaga na política italiana, lança a importante campanha pela “questão moral “.

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