“L’ UNITÀ”, 90 anos de um jornal de Partido”
“Eu proponnho como título l’Unità”, puro e simples, que terà um significado para os operários e terá um signiificado mais geral (…. …) Será um jornal da esquerda democrática“. Assim sintetisava Antônio Gramsci, o fundador, na carta escrita ao Comitato Esecutivo do PC da Itália, aos 12 de setembro de 1923, as suas propostas para a criação de um periódico do Partido que será realidade a partir de seu primeiro número, saído em Milão, na terça-feira, 12 de fevereiro de 1924.
Agora, o histórico jornal de Gramsci chega aos seus noventa anos de lutas as mais diversas, inicialmente contra o fascismo imperante; em seguida, depois de 1945, para a defesa da linha sempre mais vitoriosa do PCI no processo de instalação do regime democrático na vida italiana. Tudo isso vem recordado numa edição especial do jornal, acompanhada de um suplemento rica de 90 primeiras páginas desta história permanente.
As primeiras páginas apresentadas mostram a tenacidade teórica dos líderes comunistas italianos, em conúbio completo com operários e camponeses nas lutas contra a constante afirmação da política fascista de Mussolini. Na primeira capa apresentada nota-se igualmente uma comparticipação profunda com Moscou e com os líderes soviéticos, Lenine em modo especial.
Outras primeiras páginas se dedicam com desassombro a denúncias contra atos da violência fascista, com ênfase para o delito Matteotti. O deputado socialista, Giacomo Matteotti, em 10 de junho de 1924, foi raptado e assassinado pela polícia política fascista. Com grande coragem e clareza, o jornal comunista atacou sem qualquer hesitação Mussolini. A luta do jornal prosseguirá por todos os sábados, dia de sua saída, isto até quando, na edição de 27 de julho de 1943, anuncia a prisão do Ditador e correspondente deposição.
A partir de então, a batalha maior de l’UNITÀ se dirige à definitiva criação de uma consciência civil livre e democrática. Para concretizá-la, excepcional é a guia que Palmiro Togliatti fornece ao Partido. Os resultados não se fazem esperar depois da vitória plebicitário da República sobre o regime monárquico. O PCI cresce sempre. A tal ponto que, em determinado momento, se vê concreta altenativa ao predomínio absoluto dos democrata-cristãos.
Ao lado desse crescimento, o PCI se faz sempre mais claramente o Partido Comunista internacional mais independente em relação à política centralizante de Moscou. Isto desde Togliatti, mas principalmente com a ação revolucionária de Berlinguer. Este chegará ao ponto de criar um projeto de paz nacional através o “compromisso histórico “ que ligava duas formas de política aparentemente incompatíveis: aquela comunista, e a da Democracia Cristão. O projeto era tão revolucionário que chega a constituir-se base do assassinato de Aldo Moro pelos Brigatistas vermelhos. Muitas primeiras páginas trazem de volta a presença de tão importantes episódios.
Assim l’UNITÀ soube sempre apresentar-se como um dos mais representativos exemplos de jornal de partido. Isto é, aquelas publicações que, mesmo sendo intimamente ligadas a determinado partido, percorre um processo de integração do país numa madura realidade sócio-política nacional.
Este mesmo fenômeno se encontra na história de outros países, entre os quais o Brasil e Portugal. Também ali, a partir das primeiras propostas oitocentistas derivadas do socialismo nascente e das reiivindicações republicanas, fazem-se jornais de partido, ainda que nenhum deles consiga atingir a longevidade que hoje encontramos nas páginas de
L’UNITÀ.

