“ERA UMA VEZ UM CAPITÃO QUE APRENDEU A FAZER A GUERRA, MAS QUE PREFERIA A PAZ” – APRESENTAÇÃO DE SALGUEIRO MAIA ÀS CRIANÇAS por Clara Castilho
clara castilho
Clara Castilho apesenta-nos mais um livro sobre o 25 de Abril – uma biografia de Salgueiro Maia destinada a jovens.
A Imprensa Nacional Casa da Moeda fez uma parceria e a editora Pato Lógico, apostando, pela primeira vez, em obras direccionadas para os leitores mais novos, divulgando “figuras fundamentais da história e da cultura portuguesas”, numa lógica de serviço público. A vida de Salgueiro Maia, Aníbal Milhais, Fernando Pessoa e Almada Negreiros, quatro figuras da história e da cultura portuguesas, é aqui recordada. A escrita é sempre de José Jorge Letria, mas os ilustradores variam – João Fazenda, Tiago Albuquerque, Nuno Saraiva e António Jorge Gonçalves.
Falemos agora do livro dedicado a Salgueiro Maia, o capitão do Exército português e um dos protagonistas da Revolução de Abril. Com ilustrações de António Jorge Gonçalves, a partir de fotografias de arquivo, José Jorge Letria traça, em cerca de 50 páginas, o percurso de um homem que perdeu a mãe ainda em criança, que queria ser militar, que fez a guerra na Guiné e que comandou os militares que, a 25 de abril de 1974, ajudaram a derrubar um regime.
“Era uma vez um capitão que aprendeu a fazer a guerra, mas que preferia a paz para poder ler, viver e ser feliz. Da guerra sabia tudo ou quase tudo […] Era uma vez um capitão que nunca deixou de ter uma névoa de tristeza a toldar-lhe os olhos claros. Quis o destino que fosse um menino triste, porque teve muito cedo um encontro marcado com o sofrimento e com a morte. […] Corra mal ou cora bem a operação militar de que é um dos principais responsáveis, ele sabe que naquela noite está a fazer-se História.[…] Há momentos em que morde o lábio quase até fazer sangue e em que aperta com força uma granada de mão no bolso do uniforme de combate. […] É em momentos como esses que se fazem os verdadeiros heróis. E os verdadeiros heróis são os que têm o sangue-frio bastante para tomarem as decisões certas, para darem as ordens adequadas, para pronunciarem as palavras breves e firme que todos precisam de ouvir. Ele é o homem certo no lugar certo.”
Salgueiro Maia morreu em Abril de 1992, em consequência de um cancro, mas no imaginário português, assim como nesta biografia, fica como um dos heróis da recente História do país, que “não quis distinções nem cargos, festejos nem ovações”.
Os quatro primeiros volumes desta colecção foram apresentados no dia 12 de Abril na livraria Ler Devagar, em Lisboa, por António Torrado, com a presença de José Jorge Letria, num ambiente cordial, com a presença de familiares dos homens cujas vidas eram abordadas nos livros.