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NOS 40 ANOS DO 25 DE ABRIL- por Carlos Matos Gomes

Pensa, traidor, na tua traição de há quarenta anos. Quarenta anos de traição! Pensa,mísero traidor, como podia Roma continuar a ser grande e rica se tivesses continuado a defender o seu império, as suas colónias, a combater e a morrer com os teus legionários!

A mais velha das filhas do último governador da mais longínqua das grandes colónias, a colónia das margens do Índico, acusava um alquebrado mas digno ancião, coberto por uma descolorida e gasta túnica, no entanto imaculadamente limpa. Enfrentava-o na rua, à entrada da sua luxuosa villada Quinta da Marina, em Cascais, tradicional zona de vilegiatura de antigos e novos grandes senhores da República. Gargalhava: Vê, estúpido traidor, o que ganhaste com o fim da guerra! Eras um vigoroso centurião do império! O que és hoje? Um pobre que vive da tença dada aos antigos legionários por caridade, e enquanto houver, por uma Caixa de Aposentações. Que fortuna recebeste em troca, que louros te colocaram na cabeça, que elogios te fizeram e fazem, que estátuas te erigiram?

Carlos de Matos Gomes

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