Site icon A Viagem dos Argonautas

COMO SE FICA INDIFERENTE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES por clara castilho

Uma notícia de um acto violento, a tiro contra quatro mulheres, tendo morto duas, veio novamente trazem à tona a questão da violência doméstica. A pulseira electrónica que tinha o objectivo de fiscalizar a obrigação de se manter afastado da ex-companheira, por violência doméstica,  não o impediu de dela se aproximar, e atirar sobre quem estava junto, falecendo duas e estando as outras gravemente feridas.

Isto veio confirmar o estudo de Madalena Duarte, investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra concluiu que os esforços do Estado para prevenir e punir a violência doméstica são insuficientes e que o sistema deve ser corrigido para estimular a denúncia e travar o número de agressões. Considera que há necessidade de “uma intervenção em todas as fases do percurso”, nomeadamente na formação das pessoas que lidam com estas mulheres vítimas de violência. Sugere que a formação a este nível devia estender-se igualmente às magistraturas, pois, não vale a pena ter apenas boas leis, são necessárias boas leis e boas práticas judiciárias. No entanto, apesar de maus exemplos, a investigação também aponta a existência de magistrados que já se encontram sensibilizados para este tema.

Sabemos que é em é a casa “o espaço privilegiado da violência contra as mulheres e a violência ser transversal a todas as classes sociais, diferenciando-se contudo quando analisada segundo as suas formas/tipos de manifestação” (N. Lourenço, M. Lisboa e E. Pais -“Homicídio conjugal em Portugal, 1998).

Uma experiência feita nos EUA, com actores, num café, onde uma mulher é vítima de violência por parte de um homem, mostra como poucos são capazes de intervir.

 

 

 

 

Exit mobile version