E SE FOSSE CONVIDADO PARA ASSISTIR AO SEU PRÓPRIO FUNERAL? por clara Castilho
clara castilho
Desta vez vamos começar por ver um vídeo.
Chocante? Talvez mais eficaz do que campanhas em que se ouve o que se não deve fazer…
O que se passa em Portugal no que se refere a acidentes de viação? Mataram 261 jovens entre os 18 e os 24 anos, no período de 2010 a 2012, de acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Comparando com a restante população o risco de morte é cerca de 30 por cento superior no que se refere a jovens entre os 18 e os 24 anos.
Mas a morte não é a única consequência de acidentes de viação. Temos os ferimentos graves que, entre 2010 e 2012, foram de 1.038, e os ferimentos ligeiros de 18.356.
São sobretudo os condutores os mais atingidos (60 por cento dos jovens mortos e feridos graves),sendo os passageiros apenas a 33 por cento dessas vítimas.
Mas poderão existir outras vítimas, para além das que estão no interior dos carros… É, sete por cento das vítimas mortais e dos feridos graves são pessoas que estão na rua.
Como não é difícil de perceber, é aos sábados e domingos que eles mais ocorrem (40% dos condutores mortos ou com feridos graves, com idades entre os 18 e os 24 anos). E a que horas? Ora bem, entre a meia-noite e as 08h:00 da manhã. E os despistes são os acidentes mais frequentes.
A campanha da ANSR é “Porque na estrada todo o segundo conta”. Já andou por 105 escolas secundárias portuguesas e atingiu mais de 1.500 jovens. Uma gota de água, não?
Por outro lado, o Ministério da Saúde no Portal da Saúde, documenta as principais causas que determinam a ocorrência dos acidentes de viação. Entre elas, destaca o excesso de velocidade, o incumprimento do código da estrada e o consumo de bebidas alcoólicas. Faz ainda referência, e com igual importância, ao consumo de determinados medicamentos, diminuição da acuidade visual e situações de fadiga.
A UNICEF, num documento conjunto com a Direcção Geral de Saúde e o Instituto Nacional de Saúde indica como Medidas efectivas para reduzir os acidentes de viação:
Estabelecimento e fiscalização da idade legal mínima para consumir álcool.
Estabelecimento e fiscalização do nível de concentração de álcool no sangue nos jovens condutores e tolerância zero para reincidentes, de qualquer idade.
Criação do regime de «carta por pontos».
Incentivar o uso de equipamento de protecção nos veículos, tais como sistemas de retenção de crianças, assentos para crianças e cintos de segurança à frente e atrás. O cumprimento de medidas de segurança pode ser reforçada com legislação e fiscalização da sua aplicação, campanhas de sensibilização dos cidadãos e estratégias de acessibilidade e redução dos custos de equipamentos seguros.
Estabelecimento e fiscalização da redução dos limites de velocidade, nas imediações de escolas, áreas residenciais e espaços de jogo e lazer.
Criar infra-estruturas que permitam a separação dos transeuntes das vias de tráfego. Por exemplo, através de faixas para ciclistas e motociclistas e passeios para peões.
Utilizar luzes diurnas para melhorar a visibilidade dos motociclistas.
E considera que “NÃO RESULTA”:
Não existe evidência suficiente para apoiar a implementação de programas de «motorista designado» ou de educação de crianças sobre os perigos de beber e conduzir.
Programas escolares de educação para a condução contribuíram para a obtenção precoce de licença de condução, com o consequente aumento do número de mortes de adolescentes.
Colocar bebés ou crianças no banco da frente do veículo que têm airbag é fortemente desaconselhado.
Na minha mente, vem, sobretudo, a ideia de que as mortes ocorridas nestas situações são evitáveis e estúpidas….