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EDITORIAL – No cesto da gávea.

logo editorialEste é o local de onde, diariamente, observamos o mundo e opinamos sobre o que vemos. Prolongando a metáfora da Argos, este espaço é o nosso cesto da gávea. A gávea é nas embarcações com três velas a que fica ao centro, entre o mastaréu do velacho e o da gata. No cesto colocado no cimo da gávea, um grumete ou um gajeiro gritava para baixo o que ia vendo – terra ou navio à vista. A este cesto, sobe diariamente um dos três grumetes do blogue. E diz no diário de bordo o que vê, focando a vista onde lhe parece mais necessário. Ao grumete de serviço, parece hoje preciso olhar para o interior da embarcação.

O pesar pela morte de Sílvio Castro domina ainda a nossa pequena comunidade. E é escandaloso o silêncio que os media, os do Brasil onde nasceu, os de Itália onde há cinco décadas ensinava, os de Portugal, cuja cultura investigou, mantêm. Escandaloso porque nestes três países que amava e a que devotou o seu saber, qualquer mentecapto que saiba dar uns pontapés numa bola ou alinhar meia-dúzia de grunhidos supostamente musicais tem direito a copiosas notícias. Ainda hoje, os jornais portugueses de referência dão honras de primeira página ao internamento hospitalar de um desses ‘artistas’. A cotação da cultura está quase tão em baixo como a da economia europeia.

Na próxima segunda-feira, dia 19 de Maio, no 60º aniversário do assassínio de Catarina Eufémia, dedicamos uma edição especial à região Alentejo/Extremadura. Coordenada por Moisés Cayetano Rosado, um ‘extremeño’, um escritor e docente universitário, um historiador que tem estudado com amor e dedicação a arquitectura militar que, de ambos os lados da Raia, recordam guerras do tempo em que os canhões substituíam as empresas de rating, as troikas, as swaps… No tempo em que os traidores eram defenestrados. Hoje, não se escondem em armários – ocupam tronos e do cimo das suas tribunas, chamam patriotismo à venda do seu país. De ambos os lados da Raia, temos essa gente no poder. E temos Olivença a lembrar que os «patriotas» de um dos lados se agacham perante os «patriotas» do outro lado.

 O grumete desce. Como é também o capitão, vem escrever o diário de bordo: «Este é o local…»

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