POESIA AO AMANHECER – 464 – por Manuel Simões



ORIDES FONTELA
( 1940 – 1998 )
MEIO-DIA
Ao meio-dia a vida
é impossível.
A luz destrói os segredos:
a luz é crua contra os olhos
ácida para o espírito.
l
A luz é demais para os homens.
(Porém como o saberias
quando vieste à luz
de ti mesmo?)
Meio-dia! Meio-dia!
A vida é lúcida e impossível.
(de “Transposição”)
Poeta que atravessa a modernidade. Da sua obra poética: “Helianto” (1973), “Alba e Rosácea” (1986), “Trevo” (1988), “Teia” (1996).