POESIA AO AMANHECER – 75 – por Manuel Simões

Leopoldo de Luis – Espanha

( 1918 –  2005 )

GENTES DO ENTARDECER

Gentes do entardecer, rosto de crepúsculo;

acostumai-vos a olhar as asas

da luz. Um belo dia

a manhã romperá.

Línguas de pedra, ouvidos de silêncio:

preparai para a fala

vossa mudez, vossa falta de ouvido. Um dia

a palavra soará.

Ilhas de solidão, pedaços de mágoa:

abri as diminutas pátrias

de cada um. Pode ser que um dia

se unam as terras separadas.

Corpos de ignomínia e sombra: nunca

vos esqueçais de florescer dentro da alma.

Talvez um dia, talvez um dia

possais dizer “agora” à esperança.

(tradução de Egito Gonçalves)

Nasceu em Córdoba. Crítico de poesia. Obra poética: “Sonetos de Ulisses y de Calipso” (1944), “Alba del hijo” (1946), “Huésped de un tiempo sombrio” (1948), “Los imposibles pájaros” (1949), “Elegia en otoño” (1952), “El extraño” (1955), “Juego limpio” (1961).

 

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