Leopoldo de Luis – Espanha
( 1918 – 2005 )
GENTES DO ENTARDECER
Gentes do entardecer, rosto de crepúsculo;
acostumai-vos a olhar as asas
da luz. Um belo dia
a manhã romperá.
Línguas de pedra, ouvidos de silêncio:
preparai para a fala
vossa mudez, vossa falta de ouvido. Um dia
a palavra soará.
Ilhas de solidão, pedaços de mágoa:
abri as diminutas pátrias
de cada um. Pode ser que um dia
se unam as terras separadas.
Corpos de ignomínia e sombra: nunca
vos esqueçais de florescer dentro da alma.
Talvez um dia, talvez um dia
possais dizer “agora” à esperança.
(tradução de Egito Gonçalves)
Nasceu em Córdoba. Crítico de poesia. Obra poética: “Sonetos de Ulisses y de Calipso” (1944), “Alba del hijo” (1946), “Huésped de un tiempo sombrio” (1948), “Los imposibles pájaros” (1949), “Elegia en otoño” (1952), “El extraño” (1955), “Juego limpio” (1961).

