Camões recitado e cantado (II) – 3 – por Álvaro José Ferreira
carlosloures
Retrato de Luís de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico do retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida.
Nota prévia:
Para ouvir os poemas (os recitados e os cantados), há que aceder à página
Poema (vilancete em redondilha maior): Luís de Camões (in “Rimas”, edição de 1668)
Música: Alain Oulman
Intérprete: Amália Rodrigues* (in EP “Amália Canta Luís de Camões”, Columbia/VC, 1965; “Amália 50 Anos”: CD “Os Poetas”, EMI-VC, 1989)
MOTE
Descalça vai para a fonte Lianor pela verdura; vai fermosa e não segura.
VOLTAS
Leva na cabeça o pote, o testo nas mãos de prata, cinta de fina escarlata, sainho de chamalote; traz a vasquinha de cote, mais branca que a neve pura; vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta, cabelos d’oiro entrançado, fita de cor d’encarnado… tão linda que o mundo espanta! Chove nela graça tanta, que dá graça à fermosura; vai fermosa, e não segura.
* Arranjo e direcção de orquestra – Jorge Costa Pinto
Perdigão
Poema (vilancete em redondilha maior): Luís de Camões (in “Rimas”, edição de 1598)
Música: Alain Oulman
Intérprete: Amália Rodrigues* (in LP “Cantigas Numa Língua Antiga”, Columbia/VC, 1977, reed. EMI-VC, 1992, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
MOTE ALHEIO
Perdigão perdeu a pena, não há mal que lhe não venha.
VOLTAS
Perdigão, que o pensamento subiu em alto lugar, perde a pena do voar, ganha a pena do tormento. Não tem no ar nem no vento asas com que se sustenha: não há mal que lhe não venha.
Quis voar a uma alta torre mas achou-se desasado; e, vendo-se depenado, de puro penado morre. Se a queixumes se socorre, lança no fogo mais lenha: não há mal que lhe não venha.
* José Fontes Rocha – guitarra portuguesa; Martinho d’Assunção – viola; Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos; Técnico de som – Hugo Ribeiro, Montagem digital – Fernando Paulo