Camões recitado e cantado (II) – 1 – por Álvaro José Ferreira

Imagem4Retrato de Luís de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico do retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida. 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (os recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2014/06/camoes-recitado-e-cantado-ii.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

 

Passou mais um 10 de Junho e a direcção de programas da Antena 1 voltou a esquecer-se de Camões, apesar da particular obrigação que a rádio pública tem na defesa da língua portuguesa e na divulgação dos autores que melhor a cultivaram e engrandeceram. Tal como aconteceu no ano transacto, a rubrica “David Ferreira a contar” foi a minúscula ilha de louvável zelo num imenso mar de deplorável negligência.

Era assim tão difícil arranjar dúzia e meia de poemas (recitados ou cantados) para os ir transmitindo ao longo do dia, por exemplo, logo a seguir aos noticiários? E daria muito trabalho resgatar do arquivo histórico da RDP um dos três autos camonianos que por lá estão a apodrecer?

Os blogues A Nossa Rádio e A Viagem dos Argonautas reiteram a celebração do nosso poeta maior e aproveita o ensejo para homenagear outros três grandes vultos da cultura portuguesa que gravaram a sua poesia – Amália Rodrigues, Eunice Muñoz e Ary dos Santos. Em intróito, o “Retrato de Luís de Camões” por Ary.

Retrato de Luís de Camões

Poema de José Carlos Ary dos Santos (in “Foto-Grafias”, Lisboa: Livraria Quadrante, 1970; “Obra Poética”, Lisboa: Editorial «Avante!», 1994, 7.ª edição, 2004 – pág. 278)
Recitado pelo autor* (in LP “Ary 80”, Danova, 1980, reed. Movieplay, 1999)

Não do mar meu Luís mas dessa mágoa
marchetada de tudo apartada de quem
não mais trouxer os olhos rasos de água
por esta terra de ninguém.

Não do mar meu Luís mas da raiz
da nossa amarga pátria portuguesa
chulando o mal de Bernardim
até à ultima grandeza.

Não do mar meu Luís mas da galega
couve de pranto aberta pranto raro
pranto tão canto que a cantar te quero
neste deserto de quem fala claro.

* Gravado no Estúdio da R.P.E.; Técnico de som – José Manuel Fortes.

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