How bad policy is making the Great Recession’s damage permanent
The Washington Post/Wonkblog
Parte II
(conclusão)
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Como é que a má política reduz o nosso potencial económico
Nada disto deve ser verdadeiro. O potencial da economia não deve ter de depender muito do valor que o governo decide gastar nem deve depender muito de qual é a taxa de inflação que o banco central decide permitir. Mas ambas as coisas são agora verdade. Quer a inflação quer as despesas públicas são do ponto de vista estatístico altamente significativas quando eu econometricamente as relacionei contra o potencial económico perdido, com R-quadrado de 0,55. Ou seja, o insuficiente estímulo fiscal e monetário explica cerca de metade da perda do PIB potencial verificada.
Mas porquê? A longo prazo, não deve a economia recuperar por si mesma, pelos seus próprios meios? Bem, sim, é verdade. Mas este longo prazo pode ser demasiado longo se o sector privado está demasiado carregado com o serviço da dívida anteriormente feita em vez de estar a gastar em bens de investimentos e infra-estruturas a estes ligadas – e sendo as coisas como são, dir-se-á que na situação actual o nosso potencial económico está absolutamente a ser destruído pelo fenómeno chamado de histerese.
Agora, se o que acabamos de afirmar é verdade, então os países que foram sujeitos a situações de forte endividamento antes da crise deverão ter sido os mais vulneráveis à política errada que foi aplicada com o rebentamento da crise e até agora. E este parece de facto ter sido o que verificou. Como se pode ver abaixo, aceitámos os números da OCDE de cada país relativamente à dívida do sector privado relativamente ao PIB desde 2002 até 2007 e comparámos esta variação relativamente à variação no PIB potencial. Para cada 10 por cento de aumento da dívida relativamente ao PIB a capacidade económica diminuiu de cerca de 1,7 por cento.
Em seguida, tomámos os valores relativos à austeridade, à inflação e à dívida privada e tratamos econometricamente estes dados achando as relações econométricas entre estes valores e o produto potencial. Todos as relações encontradas eram estatisticamente significativas, e o R-quadrado foi de 0,64. Tomadas em conjunto sugerem-nos que a austeridade de um por cento do PIB reduz o PIB potencial de 0,7 por cento, enquanto que a redução de 1 por cento na inflação redu-lo em 1,9% e enquanto que um acréscimo na dívida privada 10 por cento do PIB mais elevado redu-lo em 1%.
A vontade de estar “errado” no caminho certo
Suponha que, na pior das hipóteses, a histerese é realmente irreversível. Isto significaria que as más políticas orçamentais e monetárias não só impedem a retoma económica, agora. Estas políticas também impedem uma retoma completa amanhã. A questão é a então, a de saber porque é que os decisores políticos, ou seja os políticos, não tomam uma posição bem mais agressiva. E a resposta é que eles pensam serem agressivos face à crise.
Basta olhar para a resposta à inflação. Os bancos centrais têm na verdade, com paragens e arranques , tentado aplicar algumas políticas não convencionais. Foi o suficiente para manter a inflação e impedir que esta caia para valores negativos, a deflação, , mas não o suficiente para manter a inflação e impedir de forma consistente que esta se situe abaixo do objectivo pré-visado o — que, sabemo-lo com as nossas regressões reduz o PIB potencial mais do que qualquer outra coisa.
Ainda assim, alguns países conseguiram evitar, ou pelo menos começar a sair da armadilha do “fracamente inflacionária”. A Austrália, por exemplo, define “estabilidade de preços” de uma forma mais liberal do que muitos outros países — 2 a 3 por cento em média ao longo do ciclo de negócios — e isso tem ajudado a impedir que as taxas de inflação caiam longe demais, para começar. E depois há ainda o exemplo do Japão: depois de décadas de deflação, finalmente terá levantado a sua meta de inflação, começou a imprimir dinheiro novamente e prometeu permanentemente dobrar a sua base monetária.
Tudo isto , no entanto, é bem mais do que a maioria dos bancos centrais estão dispostos a fazer. Isso é porque as suas políticas não convencionais ainda estão rodeadas de preocupações convencionais. Ou, para parafrasear Keynes, é melhor para a sua reputação falhar a aplicação de políticas ” correctas” se bem que não convencionais do que ter sucesso com as políticas “erradas”.
O problema é que nós vivemos um tempo que se está economicamente às avessas,[a ter a ideia de que se está sinceramente a querer sair da crise e a fazer tudo por isso, mas em que objectivamente se está a fazer tudo ao contrário, às avessas, transformando-se uma recessão em profunda depressão e com efeitos graves a durarem durante décadas]. As políticas prudentes [ as que os nossos políticos mais sinceros aplicam, como é o caso do Presidente Obama mas não o da União Europeia] são perigosas, porque estas podem transformar perdas temporárias em perdas permanentes, [ transformando-se assim perdas conjunturais em perdas estruturais, grandes perdas de curto prazo em perdas ainda muito maiores a longo prazo]. E as políticas perigosas [como as que procuram trajectórias de crescimento económico em período de grande endividamento, com incidência sobre o crescimento de curto, médio e de longo prazo, as políticas capazes de vencer a crise mas que são o oposto do que nos diz o senso comum] são prudentes, porque com estas poderiam mantermo-nos com a certeza de que a passagem de perdas temporárias a perdas permanentes nunca venha a acontecer e além disso — podem manter a trajectória de crescimento da economia e impedir que esta trajectória de crescimento seja destruída.
Trata-se de um tempo de radicalismos. Os políticos precisam de o ser também.
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Matt O’Brien is a reporter for Wonkblog covering economic affairs. He was previously a senior associate editor at The Atlantic.