Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A partida de poker dos dirigentes da União Europeia
Jacopo Rosatelli, La partita a poker dei leader Ue
Sbilanciamoci.info, 04/07/2014
O Renzismo posto à prova / A 16 de Julho saberemos se a Itália terá conquistado o prestigiado papel de Alto Representante para a Política Externa com a nomeação de Mogherini
O semestre renziano coincide com o início da oitava legislatura do Parlamento Europeu: depois da votação de 25 de Maio, os diferentes grupos terão encontrado a sua composição definitiva e oficialmente em Novembro haverá uma nova Comissão. Que, como sabe, será presidida por Jean-Claude Juncker, candidato do Partido Popular Europeu, ou seja, o grupo da maioria relativa: a sua nomeação tem em conta, pela primeira vez na história, os resultados das eleições (como é exigido pelo artigo 17 parágrafo 7 do TUE). Um avanço inquestionável, que não pode ser confundido com uma plena democratização das instituições da UE que, para ser tal, terá de ter um genuíno ‘governo’ com um programa e uma visão política homogénea, realmente responsável face ao Parlamento Europeu e face à opinião pública. O que a Comissão Juncker não poderá ser, tendo em conta que são os Estados-Membros a indicarem um a um- os membros do executivo da UE.
A ‘grande coligação’, em suma, antes mesmo de uma livre escolha do PPE e do PSE (tal como “ensina” a Alemanha), é uma consequência inevitável do modo de formação da Comissão: serão pois do Partido Popular (direita) , além do Presidente, o comissário alemão (assegura-se a reconfirmação de Günther Oettinger), espanhol, polaco e grego – para citar alguns – enquanto os socialistas terão, entre outros, os membros italiano e francês. Para ampliar o espectro das posições aqui representadas haverá também um conservador britânico (depois do grupo Ecr, conservadores e Reformistas Europeus) designado pelo primeiro ministro David Cameron, e será sempre cada vez mais eurocéptico», que sobre a questão da adesão do Reino Unido à UE sabe como jogar, no ano seguinte, o seu próprio futuro político.
A 16 de Julho quando voltar a reunir-se o Conselho Europeu de chefes de governo – saberemos como o primeiro-ministro italiano terá enfrentado o complexo jogo da ‘nomeação’, conseguindo obter, ou não, o prestigiado papel de alto representante para a política externa e da segurança para a ministra Federica Mogherini: naquela circunstância, a menos que haja surpresas, devem ficar definitivas a distribuição das posições de topo, incluindo o sucessor para o invisível Herman Van Rompuy ao leme do próprio Conselho. Vai ser impossível não interpretar o resultado do jogo dos líderes de poker da UE como uma medida do peso político de cada um deles: Renzi sabe e quer ser capaz de o exibir – especialmente para uso duma propaganda interna titubeante – alguns resultados que possam ser comemorados como (mais) um sucesso pessoal.
No seu discurso no hemiciclo de Estrasburgo, o ex-prefeito demonstrou não ter medo do confronto dialéctico com as posições da ortodoxia pro-austeridade representada pelo líder do partido do povo bávaro, Manfred Weber, veementemente criticada também pelo novo líder do grupo socialista, o democrata Gianni Pittella. Agora é claro que Renzi, na sequência dos 40,8%, substituiu o muito débil François Hollande como porta-voz “do partido do crescimento” face ao imobilismo de Angela Merkel, mas é também claro também que a ‘dialéctica crescimento‑ estabilidade’ é mais aparente do que substancial. Uma verdadeira reviravolta é coisa que aqui não haverá, porque obter ‘ flexibilidade” em troca de reformas é obter muito pouca coisa. Nem uma reviravolta real poderia haver, uma vez que os equilíbrios do poder (infelizmente) são aqueles fotografados pela grande Coligação na salsa comunitária, reflexos do acordo político (e não ‘técnico’) entre socialistas e populares-com o acrescento da inevitável reggicoda liberal. Uma organização que na verdade só poderá ser alterada com a entrada de uma voz que realmente saia fora do coro no Conselho Europeu: o mais tardar entre o inverno de 2015 e a primavera de 2016 vão às urnas a Espanha e a Grécia, e na base dos votos de 25 de Maio 25 , é legítimo esperar resultados “a forçar o governo” pela esquerda anti-austeridade. Entretanto, algo de positivo pode acontecer se o Parlamento Europeu – como já por vezes aconteceu no passado- desencadear alguma batalha ex parte populi contra o « circuito do governo » ou seja, Comissão- Conselho. Por exemplo, sobre a negociação do Tratado sobre o comércio livre (Tttip), que decorre em grande segredo sobre o eixo Bruxelas-Washington, os deputados poderiam fazer ouvir as suas vozes: o comportamento dos socialistas a apoiar o Tratado com alguns “ses e mas ” – será influenciado pela posição de Renzi , sendo a delegação italiana a maior dentro do segundo grupo parlamentar. Um peso que nos primeiros inícios do mandato já se viu reflectido na escolha ‘histórica’ que foi a do Presidente Pittella: nunca antes, um italiano tinha ocupado esse lugar.
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Ver o original em:
http://www.sbilanciamoci.info/Sezioni/globi/La-partita-a-poker-dei-leader-Ue-25324
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Nota de A Viagem dos Argonautas
Na reunião do Conselho Europeu de 16 de Julho passado foi resolvido adiar, para proceder a novas consultas, as resoluções relativas à sucessão nos cargos.políticos. A este respeito recomendamos a leitura do que vem no site do Conselho Europeu em:
http://www.european-council.europa.eu/special-meeting-of-the-european-council?lang=pt
