A aceleração da desigualdade de rendimentos é uma marca distintiva das crises económicas. Quando o emprego começa a escassear e o desemprego aumenta os salários, por via dessa pressão, diminuem. E, não raras vezes, essa redução dos salários alimenta a recessão em que a economia se encontra e agrava o buraco. É a armadilha em que a austeridade nos meteu.

No caso atual, existiram mesmo políticas ativas de desgaste do valor do salário implementadas por Passos Coelho e Paulo Portas, como o corte nos salários, a diminuição do valor do trabalho extraordinário, o corte nos subsídios de desemprego, a redução drástica da contratação coletiva e a precarização das relações laborais. Hoje, esses resultados estão à vista no desemprego real, na emigração e na pobreza.

Paradoxalmente, em alturas de crise os salários dos cargos de topo das grandes empresas tipicamente não diminuem e, como se prova aliás por este estudo, até aumentam.

 

 

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