Amanhã, 11 de Setembro, dia em que se celebra o 300º aniversário da Batalha de Montjuic, que ditou a supressão da Catalunha como nação soberana, dedicaremos, alguns textos a essa efeméride. A supressão de todas as instituições catalãs pelo decreto de Nova Planta (1716), foi como que uma rasura na verdade histórica em que, pela vontade de Filipe V de Bourbon, uma nação, uma cultura, um idioma, um percurso de séculos, foram apagados. Uma brutal «rectificação» da História, antecipando o sistema descrito por Orwell no seu «1984».
Três séculos depois, uma parte do povo catalão quer recuperar a independência nacional e decidir sobre os destinos da sua Nação. É maioritária ou não essa fracção do eleitorado? A Generalitat decidiu apurar essa resposta através de um referendo marcado para o dia 9 de Novembro próximo. O referendo tem a seguinte formulação: “Quer que a Catalunha seja um Estado?”; “Se sim, quer que este Estado seja independente?”.
Porém, a Constituição, o Parlamento, o Tribunal Constitucional e o Governo de Mariano Rajoy (Partido Popular) não autorizam este referendo. O governo do Estado espanhol deixa cair a máscara de uma “democracia” que não enjeitou a herança franquista; de uma “democracia” que foi modelada pelos conceitos de uma das mais odiosas ditaduras do século XX. A face fascista do Estado espanhol, surge, com toda a fúria imperial e totalitarista, pondo todos os entraves à consulta popular catalã e invocando a Constituição espanhola – como se alguma vez a lei fundamental de uma potência colonial previsse a separação de uma colónia.
Quanto à Escócia, as coisas apresentam-se diferentes.
Ontem, a rainha Isabel II interveio na campanha do referendo, não para defender a unidade, mas sim para recordar que a coroa é neutral e que a votação é um assunto que apenas diz respeito aos escoceses. Problemas semelhantes, heranças históricas de questões mal resolvidas. Modos diferentes de os encarar. Londres usa a inteligência, Madrid a estupidez.
Desejamos que a estupidez seja castigada e que a inteligência não seja premiada.