EDITORIAL – A CATALUNHA É UMA NAÇÃO, por João Machado

Quem conhece minimamente a história e a cultura catalãs, e já teve algum, mesmo que seja pouco, contacto com os catalães, compreende que a Catalunha é uma nação. Tem mesmo todos os requisitos para ser uma nação independente. Apenas não o é, porque está subjugada há séculos por Castela. Clicando nos links abaixo, nomeadamente nos três últimos, poderão encontrar alguns elementos a este respeito. Um ponto importante é o do reconhecimento da importância da língua catalã e da maneira como o seu uso tem sido afectado pelas normas emanadas de Madrid, chegando-se à sua proibição durante a ditadura de Francisco Franco, com a finalidade óbvia de quebrar o sentimento nacional dos catalães. A este respeito, será de recordar as situações que a Llei Wert, aprovada em 2013, implica em relação ao ensino do catalão, para se perceber que o problema não está resolvido, e que o poder central continua a procurar impor restrições. A aprovação daquela lei terá levado alguém a concluir que o objectivo da independência catalã terá passado de importante a urgente.

Existem com certeza  interpretações diferentes sobre os recentes episódios ligados com a marcação do referendo sobre a independência da Catalunha. Entretanto, se tentarmos chegar ao fulcro da questão, no momento actual, constatamos que o governo Rajoy apelou ao tribunal constitucional do reino espanhol, e este declarou o referendo inconstitucional. Não se pode realizar, é o que acham. Por outro lado, insiste-se em que não há a certeza sobre se os catalães querem mesmo a independência, mas como não se pode realizar o referendo… na dúvida fica-se na mesma. Com este raciocínio, sem saída, o conflito vai eternizar-se, e Francisco Franco deve estar a sentir-se bem, no seu túmulo. O referendo, sendo realizado em termos equitativos, entre os directamente interessados, abrirá caminho a uma resolução adequada, postergá-lo faz com que o problema se agrave, e a solução se torne cada vez mais difícil.

Também o problema da integração ou não à União Europeia (UE) tem vindo à baila. Neste momento não vamos debruçar-nos sobre os problemas que a pertença à UE tem trazido aos países que nela se integraram, com a excepção da Alemanha, por razões conhecidas. Mas não é difícil constatar que levantar esse problema, a respeito da realização de um referendo sobre a independência da Catalunha, releva mais de um estado de espírito próprio de quem se sente obrigado a levantar todos os obstáculos possíveis a algo novo, que pode acarretar modificações num universo que se pretende sem mudança, do que de uma eventual previsão da existência de obstáculos reais.

Tem-se falado de que um dos elementos essenciais para fazer progredir a liberdade e a democracia na vida dos povos é procurar fazer com que a cada nação corresponda um estado. É longa a discussão a este respeito, há sempre diferentes pontos de vista, excepções que é preciso ter em conta, e deve-se deixar claro que contradições entre o sentimento nacional e os interesses de grupos particulares estarão sempre a aparecer. Mas nunca será descabido (hoje em dia deveria ser desnecessário) afirmar que a sujeição de uma nação a outra traz inevitavelmente mais problemas para as populações da nação que foi dominada, cujos interesses são constantemente menosprezados pelos governantes da nação dominante, mostrando-nos a história que a população desta, salvo raras e honrosas excepções, tende sempre a adoptar a posição dos seus governantes, e também ela menospreza a população da nação sujeita. Exemplos não faltam.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

https://www.publico.pt/2017/09/21/mundo/noticia/pp-e-psoe-propoem-dialogo-dentro-da-lei-aos-soberanistas-catalaes-1786198

http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/21-09-2017/caderno-1/temas-principais/uma-reportagem-no-meio-dos-irredutiveis-da-senyera

http://galiciae.com/gl/noticia/758072/serrat-el-referendum-del-1-o-no-es-transparente

https://www.publico.pt/2017/09/11/mundo/noticia/catalunha-uma-identidade-que-nem-o-tempo-nem-madrid-apagaram-1784980

http://www.jn.pt/mundo/interior/milhares-manifestamse-para-defender-a-lingua-catala-2945768.html

https://efeitofuria.wordpress.com/tag/barcelona-defende-catalao/

https://www.publico.pt/2012/12/04/mundo/noticia/catalunha-recusase-a-adoptar-lei-da-educacao-que-limita-o-ensino-do-catalao-1576112

https://www.publico.pt/2013/05/18/mundo/noticia/religiao-passa-a-contar-para-a-nota-na-reforma-da-educacao-em-espanha-1594813

http://www.ara.cat/societat/ofensiva-Wert-contra-Catalunya-frases_0_821917992.html

http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/octavio-ribeiro/detalhe/o-principio-da-catalunha?ref=octavio-ribeiro_destaque

https://aviagemdosargonautas.net/2012/12/01/1640-portugal-e-catalunha-desafiam-o-imperio-dos-austrias-carlos-loures-e-josep-anton-vidal/

https://www.publico.pt/2017/09/23/mundo/noticia/o-que-e-que-se-passa-na-europa-e-em-portugal-face-a-catalunha-1786368

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Se Portugal – e muito bem – teve de deixar de ter colónias que razão autorizará que haja quem possa tê-las? O reino de Castela não tem o direito de colonizar as várias Nacionalidades que constituem a Península Hispânica. O passar dos séculos não deve servir de desculpa para a manutenção das Opressões existentes em toda a Europa. Não aos Estados-Nação; sim, ás Nações-Estado. É a Democracia contra os Imperialismos. CLV

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