NESTE DIA… 17 de SETEMBRO de 1922, nasceu AGOSTINHO NETO
joaompmachado
António Agostinho Neto, político, médico e poeta nasce em Kaxicane, freguesia de S. José, concelho de Icolo e Bengo, distrito de Luanda, filho de um catequista, que viria a ser pastor e professor, e de uma professora. Faz os seus primeiros estudos em Luanda, vindo depois para Portugal tirar o curso de Medicina, primeiro em Coimbra e depois em Lisboa. Ainda em Angola, já participa nos movimentos de emancipação contra o colonialismo, tendo continuado em Portugal, militando na Casa dos Estudantes do Império e ajudando a constituir várias organizações como o Centro de Estudos Africanos (1950), com Amílcar Cabral, Marcelino dos Santos, Mário de Andrade, Francisco José Tenreiro e outros. É representante da Juventude Africana junto do MUD Juvenil (1951). É detido várias vezes pela PIDE, sendo condenado a dezoito meses de prisão em 1955, havendo várias movimentações internacionais pedindo a sua libertação. Entretanto, a 10 de Dezembro de 1956, constitui-se o MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola. Em 1958, Agostinho Neto conclui a licenciatura em Medicina, regressando a Luanda no ano seguinte. Em 1960 é eleito Presidente Honorário do MPLA. Preso, é trazido para Lisboa, e deportado para Cabo Verde. Em 1962 é encarcerado no Aljube, sendo libertado no ano seguinte. Sai de Portugal clandestinamente fixa-se primeiro na República Popular do Congo e a seguir na Tanzânia. Entretanto, é eleito Presidente do MPLA na Conferência Nacional do Movimento. Prossegue a guerra em Angola, e em 1974 ocorre a Revolução de Abril. Em 1975, Agostinho Neto vem a Portugal, onde participa no encontro de Alvor e é homenageado pela APE – Associação Portuguesa de Escritores. No dia 11 de Novembro é declarada a independência da República Popular de Angola e Agostinho Neto proclamado seu presidente. Rebenta entretanto a guerra civil, e Agostinho Neto, nas lutas com outras organizações e dentro do próprio MPLA, tem participação activa em vários episódios, que é interpretada de modo diverso nos diferentes quadrantes. Tendo-lhe sido detectado um cancro hepático, falece em Moscovo em 10 de Setembro de 1979, sem completar 57 anos.
Leiam este poema de Agostinho Neto:
Não me peças sorrisos
Não me exijas glórias
que ainda transpiro
os ais
dos feridos nas batalhas
Não me exijas glórias
que sou eu o soldado desconhecido
da humanidade
As honras cabem aos generais
A minha glória
é tudo o que padeço
e que sofri
Os meus sorrisos
tudo o que chorei
Nem sorrisos nem glória
Apenas um rosto duro
de quem constrói a estrada
pedra após pedra
em terreno difícil
Um rosto triste
pelo tanto esforço perdido
– o esforço dos tenazes que se cansam
à tarde
depois do trabalho
Uma cabeça sem louros
porque não me encontro por ora
no catálogo das glórias humanas
Não me descobri na vida
e selvas desbravadas
escondem os caminhos
por que hei-de passar
Mas hei-de encontrá-los
e segui-los
seja qual for o preço
Então
num novo catálogo
mostrar-te-ei o meu rosto
coroado de ramos de palmeira
E terei para ti
os sorrisos que me pedes.
1949
Obrigado à Fundação Agostinho Neto, a cujo site fomos buscar este poema e alguns elementos para a pequena biografia acima apresentada.