O REAL E O IDEAL- Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

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No início dos anos 50 convivi em Lisboa com dois estudantes angolanos, Mário Pinto de Andrade (Letras) e Agostinho Neto (Medicina), ambos negros.  

Tu, ó Mário, em 1960 és um dos fundadores do clandestino Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), de raiz marxista. Acompanhado pelo teu irmão Joaquim transferes a direção do Movimento de Luanda para Conakry e levas os teus camaradas a votarem no Agostinho Neto (então preso em Portugal) para presidente honorário do MPLA. Presidente efetivo és tu e secretário-geral é o Viriato da Cruz. 

Em 1961, depois da independência do Congo Belga, tu e o Viriato transferem a direção do MPLA para Leopoldville, porque assim ficam mais perto de Angola. 

Em 1962 o Agostinho Neto consegue fugir de Portugal, arriba a Leopoldville e tu entregas-lhe a direção efetiva do MPLA.  

Em 1974, já em Angola, nas vésperas da independência resmunga o Agostinho:  

– Não me contrariem, pois eu quero, posso e mando!  

Tu, Mário, condenas ditadura e ditador. Ele ordena que te cacem e calem mas tu consegues fugir com o teu irmão para a Guiné-Bissau, asilo. 

Ó Mário! não te amofines, a vida é assim mesmo: volta e meia surge o real a cagar no ideal… 

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