- Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, nasceu em Lisboa a 1 de Março de 1724, filho de um serralheiro de nome José Martins, natural de Constantim (Vila Real de Trás-os-Montes) e de Antónia Maria, natural de Lisboa. Contava 16 anos quando professou a regra da Terceira Ordem de S. Francisco, em 25 de Março de 1740. Estudou em Coimbra, tendo tomado o grau de doutor em Teologia, em 26 de Maio de 1749. Lente da Universidade de 1751 a 1755, foi cronista da sua Ordem em 1757 e Provincial da mesma, em 1768.
Nomeado deputado da Real Mesa Censória, em 21 de Abril de 1768, e confesor privado do então príncipe D. José, foi presidente da «Junta da Providência Literária» e da «Junta do Subsídio Literário». Nomeado 1º Bispo de Beja, em Março de 1770. D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas prestou valiosos serviços à «Junta Reformadora da
Universidade», sendo particularmente apreciado o seu saber pelo Marquês de Pombal.
Por morte do rei D. José, foi este prelado envolvido ma intriga política do momento, o que o levou a recolher-se ao seu bispado de Beja. Nesta cidade fundou a «Academia Eclesiástica» no próprio edifício do Paço episcopal. Da sua actividade pastoral regista-se a difusão da instrução dos pobres, a formação de professores e a criação de bibliotecas.
Com a morte do prelado de Évora, D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas foi eleito arcebispo desta cidade em 1808, em plena ocupação dos exércitos imperialistas de Napoleão Bonaparte. Velho e doente, opôs ao ocupante a sua habilidade diplomática e a sua resistência revestida de grande humildade, poupando a cidade de total destruição e o massacre sistemático da sua população.
Acusado de “jacobino” ou simpatizante das ideias napoleónicas, após o que havia passado com a ocupação francesa, teve assim que sofrer mais humilhações após a libertação do País. Levado de Évora para Beja debaixo de prisão, conduzido por uma horda de malfeitores travestidos de patriotas, com o suposto objectivo de ser julgado. Recuperado aos malfeitores (que se verificou estarem a soldo de interesses castelhanos), reconduzido a Évora, nesta cidade veio a falecer em26 de Janeiro de 1814.
Aproveitando a biblioteca que encontrara reunida pelo seu antecessor, Frei Manuel do Cenáculo acomodou no antigo Colégio dos Moços do Coro, anexo ao Paço Arquiepiscopal, uma casa de
A vida e obra de D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas encontra-se documentada com pormenor na obra de Francisco da Gama Caeiro, Frei Manuel do Cenáculo/ Aspectos da Sua Actuação Filosófica/ edição do Instituto de Alta Cultura, Lisboa, 1939.
