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CARTA DE LISBOA – Filhos de Franco – por Pedro Godinho

lisboa

O que os faz ter tanto medo de deixarem as pessoas, em consulta livre e democrática, dizer o que pensam sobre a independência e governo do seu país?

Se estão assim tão convencidos que os catalães são e querem ser espanhóis e vivem felizes sob o governo do reino de Castela porque não os deixam pronunciar-se?

Porquê tanto medo? Porquê tanta ameaça e o desenterrar do arsenal pesado?

Não era mais simples, e democrático, deixá-los responder, pelo voto, a uma pergunta tão elementar como a que interroga sobre se querem ser um Estado independente?

Que força é essa, Espanha, que força é essa que nem aguenta uma consulta popular?

O argumento da inconstitucionalidade é pífio e de má-fé.

Todos os impérios, seguramente também o espanhol, como o fazia igualmente no passado o português, inscrevem nas suas constituições ou leis a unidade e indivisibilidade territorial à qual amarram as suas colónias.

E as colónias ultramarinas (ao menos a maioria) deixou de o ser e acedeu à independência.

O colonialismo não tem cor, não é só coisa de “brancos” sobre “pretos” o domínio não deixa de o ser só porque é intra-europeu e deslavado.

Ao negar o direito a decidir, os poderes de Espanha, e os partidos “espanhóis” – cara ao sol ou envorganhada – comportam-se como dilectos filhos de Franco.

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