FRATERNIZAR – QUE IGREJA É A DO PAPA FRANCISCO? – por Mário de Oliveira
carlosloures
JF divulga o discurso integral do papa, no encerramento do Sínodo. E, perante ele, formula uma pertinente pergunta: Que Igreja é a do papa Francisco? Lê-se o texto e depressa se conclui que é a igreja de Pedro (“cum Petro et sub Petro = Com Pedro e sob Pedro) e de Paulo. Aquele Pedro que, depois de ter sido Satanás para Jesus – “Sai da minha frente, Satanás, que os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens (do poder), Marcos 8, 33 – depois ainda o traiu, juntamente com todo o grupo de que era o chefe, e entregou aos sumos-sacerdotes. E, já com Jesus preso e a ser sumariamente julgado e condenado à morte, ainda o negou por completo, que é o que quer dizer, “três vezes”. Depois, mal o apanhou morto na cruz do império – cuja execução recusou acompanhar de perto – e, por via disso, o maldito dos malditos de Deus, o da Bíblia, correu logo a reunir os onze na sala de cima, uma dependência do templo de Jerusalém, para aí, juntamente, com Tiago, o irmão de Jesus que nunca aceitou ser seu companheiro, fundarem o judeo-cristianismo. O que perfaz a maior traição/negação de Jesus, o camponês-artesão, o filho de Maria. Uma vez que, desse modo, Jesus perdeu de imediato a sua condição de ser humano pleno e integral, para ser convertido no cristo/messias ou Jesuscristo, da casa real de David, um dos múltiplos mitos que estão na raiz de todo o poder, para o justificar, quando o poder é, de sua natureza, injustificável, intolerável. Só que uma igreja assim, como a cristã, não é soprada/inspirada pela Ruah/Sopro maiêutico de Jesus. É soprada/inspirada pelo sopro do poder, ela própria, poder monárquico absoluto, que, de acordo com o falso evangelho de S. Paulo, está destinado a vencer/reinar/imperar sobre toda a terra e sobre todos os povos. Essa mesma igreja que veio, naturalmente, a ser reconhecida, no início do século IV, pelo imperador de Roma, Constantino e seus sucessores. Dois mil anos volvidos, o papa Francisco acha-se o sucessor desse Pedro Satanás, traidor, negador de Jesus, e um dos fundadores do cristianismo que troca Jesus pelo mítico Cristo, tão do agrado do imperador de Roma e de todos os imperadores ou candidatos a imperador. E dos papas! É este tipo de igreja cristã, não jesuânica, que subjaz ao discurso de encerramento do Sínodo, proferido pelo papa Francisco, no dia 18 de Outubro, véspera da beatificação do papa Paulo VI, numa sucessão que remonta a Pedro, mas não a Jesus, já que o cristianismo rompeu definitivamente com Jesus e assume-se como o seu inimigo maior, uma vez que anda animado do sopro do poder que infantiliza e humilha as pessoas e as populações, para que elas nunca cheguem a crescer de dentro para fora, não vá acontecer que se autonomizem, se tornem sujeitos, senhores dos seus próprios destinos e dos destinos do planeta, de acordo com a própria consciência. E, consequentemente, deixem o poder a falar sozinho, sem ninguém disponível para o servir. Fiquem, então, com o texto integral do discurso do papa. E verifiquem com as vossas consciências, se se as coisas são ou não assim. Se, entretanto, gostarem de um tipo de igreja assim tão antípoda de Jesus e do seu movimento clandestino, fundada por um dos “Doze” a quem Jesus chama “Satanás”, o problema é vosso. Só que depois não andem por aí a queixar-se, sempre que se virem cercados por todos os lados de leis, de dogmas, de normas, de proibições de toda a ordem que as, os impedem de organizar, até, os afectos e a família, de acordo com a vossa própria consciência. É o que acontece a quem faz más escolhas e decide ter tutores a decidir em seu nome. Tais escolhas podem dar-nos uma falsa sensação de segurança e de acompanhamento, dispensar-nos de pensar e de decidir por nós, mas reduz-nos a répteis rastejantes, abortos de seres humanos, abaixo até dos outros animais. Eis. (ver Discurso integral do papa em www.jornalfraternizar.pt.vu na pasta O mês à luz da Fé e da Teologia de Jesus)