EDITORIAL – O défice democrático do Estado espanhol
carlosloures
Nem só o ébola nos pode chegar vindo do estado vizinho. Um preocupante revivalismo fascista perdura em muitas cabeças onde a nostalgia falangista fez ninho. Em Portugal – valha-nos isso! – o salazarismo foi institucionalmente erradicado; em Espanha, a «transição para a democracia», conduzida por Adolfo Suárez, fez-se no «respeito pela história recente», evitando as rupturas que podiam fazer perigar a «unidade nacional» que é a designação eufemística para a opressão espanholista sobre a Catalunha, a Galiza e o País Basco.
Mas então o Reino de Espanha não é um estado democrático? Claro que sim. Mas, lá como cá, a democracia tem regras que anulam a própria democracia. Temos a convicção de que a esmagadora maioria dos catalães quer a independência. Porém, divididos em partidos, provenientes de classes sociais diferentes e com interesses que são, por vezes, opostos, não sentem a pátria do mesmo modo, nem querem a independência da mesma maneira e o próprio conceito de independência diverge. Provavelmente, o anseio soberanista só é vivido em uníssono no apoio ao Barça!
Impedida pela constituição espanhola, a consulta de 9N não poderá ser feita. Madrid saberá, respeitando as regras do «jogo democrático», impor a unidade que um grupo de militares traidores aos deveres que tinham jurado à República, impôs à custa de um milhão de mortos. A unidade dos rebanhos, mantida pela vigilância dos mastins.