Diário de bordo de 2 de Novembro de 2011

 

 

A reacção do Estado de Israel à admissão da Palestina na UNESCO, foi imediata. O governo israelita aprovou a construção de duas mil novas casas em Jerusalém Leste e em colonatos situados em território ocupado na Cisjordânia. Israel e os Estados Unidos, não aceitam a decisão de integrar a Palestina na agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura.  

 

Por certo, foi para não desagradar aos Estados Unidos que Portugal se absteve. Outros membros da União Europeia – Espanha, França, Áustria, Finlândia… votaram pela admissão. Em O ClariNet, o blogue do Carlos Mesquita, foi publicado um texto dedicado ao tema e aconselhamos a leitura:

 

http://oclarinet.blogspot.com/2011/10/palestina-membro-da-unesco-como-votou.html

 

Não é de agora – a diplomacia portuguesa é hesitante e mesmo cobarde. É uma matéria, esta da política externa em que ninguém pode atirar pedras – os telhados são todos em vidro. Vejamos o caso do território de Olivença que o estado espanhol nos roubou há mais de 200 anos – 100 anos de diplomacia monárquica não conseguiram, nem quiseram, recuperar o território – 100 anos e três formas de República e o mesmo resultado. Zero. O regime fascista, tão preocupado em preservar a integridade do território nacional em África e na Ásia, nunca teve uma política objectiva para a recuperação de Olivença. Veio a Democracia e só o almirante Pinheiro de Azevedo aludiu à questão. Os governos democráticos não querem melindres com Espanha.

 

Em contrapartida, o estado espanhol nunca perde uma oportunidade para exigir Gibraltar aos britânicos. Com menos razões do que nós para o fazer – Gibraltar foi oferecida em dote e não roubada e, por outro lado, as instâncias internacionais não se pronunciaram a favor da pretensão espanhola, enquanto, de jure, Olivença é território português. Agora mais um sintoma dessa atávica cobardia diplomática – Portugal abstém-se na votação da admissão da Palestina na UNESCO.

 

Para não desagradar aos patrões ianques.

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