
Três vivas para os cérebros da União Europeia pela continuada demonstração duma sabedoria só digna dum mestre guru capaz de atingir os mais elevados estados de transcendência.
Hurra! Hurra! Hurra!
Nós, os portugueses, já tínhamos sido esmagados pelo brilhantismo com que cá tinham vindo buscar para exercer funções de vice-presidente no Banco Central Europeu esse génio da supervisão bancária e financeira chamado Constâncio a que não soubemos reconhecer valor até o vermos querido por outros.
Como aquelas equipas que julgam ter um coxo que não corre nem acerta direito na bola e pensam ter feito um grande negócio quando o deixam ir, mesmo sem receber nada pelo passe, para depois se arrependerem ao ouvir a nova equipa a dizer maravilhas da sua nova aquisição.
E o que antes parecia incapacidade passa a ser inteligência táctica, de inspiração taoísta: qualquer acção por mais bem intencionada perturba o equilíbrio da natureza pelo que devemos limitar ao máximo as nossas acções a bem da paz e harmonia.
Como também teríamos aprendido se tivéssemos dada mais importância e atenção ao graduado da escola de quadros chinesa que foi nosso primeiro-ministro e que aprendiz de tudo o que era chinesice praticava com afinco a arte de não agir. Sublimemente demonstrada na presença-ausência na famosa reunião dos Açores onde foram vistas as provas das armas de destruição maciça e dado o tiro de partida iraquiano.
Vimo-lo partir com alegria pensando que – “passa ao outro e não ao mesmo” – nos tínhamos safado do safado e o problema agora era doutros. Mas o homem alapou-se dez anos de presidente dos comissários europeus e, mesmo à distância, continuou Mestre do não-agir de modo manter-se na linha e não desagradar germanos e primos. E nós a vê-lo engordar e rir com os poderosos, enquanto do alto da Europa fazia eco com os que nos repetiam que vivíamos acima das nossas possibilidades.
Cerja no topo do bolo, golpe de génio zen, o aprendiz que suplanta o mestre, jogada ímpar, os cérebros europeus, para substituir o nosso Durão, foram buscar o melhor cromo dos bonecos da bola, o crème de la crème, o prodígio do Grã-Ducado, capaz do mais avançado pensamento dialéctico – tão avançado que bipolar – que consegue fazer do país (?) que dirige um paraíso fiscal para, mais tarde, com ar sério afirmar que vai presidir à cruzada europeia de combate à fraude fiscal.
O brilhantismo, a inteligências das mentes que o escolheram está na clarividência de quem consegue descortinar diamantes em bruto na aparente banalidade ou mediocridade. Só eles tiveram a visão teleológica para antever que, passe a expressão, para apanhar um burlão não há melhor que outro burlão. Ora como ninguém sabe melhor que ele contornar as regras europeias, ninguém melhor que ele para saber o que é necessário para apanhar os infractores. É, literalmente, colocar-se na mente do criminoso para perceber como ele realiza o crime.
Por isso, tenho toda a esperança que com Junker é que vai ser, o homem vai mesmo fazer na Europa uma revolução maior que a do Papa no Vaticano.
E tem um trunfo extra, a homónima Junkers é marca de confiança que anos a fio nos esquentou a água, acendendo à primeira e mantendo a chama, sem falhas.

