EDITORIAL – ALUNOS DE ESCOLAS PÚBLICAS SÃO MUITO MELHORES, MESMO QUE TENHAM NOTAS MAIS BAIXAS
clara castilho
O saber dos alunos vê-se pelas suas notas nos exames nacionais? Elas indicam a sua capacidade de aplicar os conhecimentos adquiridos? Elas indicam os seus outros saberes essenciais para a vida? É-se melhor aluno quando se tem melhor nota? Nem sempre. Vale mais ter uma boa nota num colégio com uma equipa de professores estável, com pessoas em casa que ajudam no estudo, até com “explicador” pago? Ou vale mais ter a mesma nota quando já se mudou de professor umas três vezes e em casa se não tem quem ajude?
Vale mais ter uma boa nota quando se vai de carro para a escola, ou quando se tem que andar uns bons quilómetros a pé?
Vale mais ter boa nota quando se tomou um bom pequeno almoço e se pode fugir ao almoço da cantina, ou quando se vai de estômago vazio e se tem que se sujeitar ao “bónus” da caridade para encher a barriga?
Vale mais ter uma boa nota quando se está num colégio uniforme nos valores, no corpo docente, nos alunos, ou quando se faz parte do grupo a que se cortou a verba de 700 milhões de euros ?
Como ter boas notas se, para a família alcançar esses resultados não faz qualquer diferença?
Se esta visão entre “bons” e “maus”, está posta ao contrário, só nos chama a atenção para o facto de, felizmente, existirem escolas públicas que dentro dos princípios de uma educação inclusiva, conseguem que todos sejam integrados, e mostrar que se consegue alcançar bons resultados, fazendo omeletes sem ovos.