

Mas já cos esquadrões da gente armada
os Eborenses campos vão coalhados.
Camões, Os Lusíadas, III, 107
1
Museu de estilos,
o respirar
duma cidade
impressa/o
nos seus templos.
A pedra
feita história,
testemunho latente
de seus antigos
filhos.
A pedra
trabalhada,
tão inocente e neutra
revelando
as origens,
o modo da conquista,
o coro de protestos
sob as duras
espadas.
2
Leio assim
a cidade:
ruas brancas
de tédio,
a solidão escrita
na caliça,
esta geometria
de cal
neutra
alagando o corpo
nítido
do homem
causticado
que respira.
3
As pedras lavram
o pranto e as trevas
duma idade.
São marcos, são
arestas que sitiam
a memória,
são troféus
desamados
armando a própria
história.
São nomes, são
crónicas sem notícia
dos despojos
– são sinais.
( de Crónica Segunda, 1976)