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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – O QUE ESCONDE O VOLUNTARIADO, A CARIDADEZINHA? – por Mário de Oliveira

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Se há actividade que mais nos desumanize e à sociedade, é o voluntariado, a caridadezinha. Uma sociedade que pacificamente entra por esta via e a promove, é uma sociedade gravemente enferma. Pior que o cancro, a sida, é a caridadezinha, o voluntariado. O seu vírus mata mais e mais indignamente, quantas, quantos se prestam a dar-lhe corpo, ou se pensam beneficiados. Uma sociedade humana que se preze, é uma sociedade totalmente blindada a este tipo de vírus. Intui que ele mata a alma/identidade/dignidade dos seres humanos, primeiro, dos agentes activos, depois, dos passivos. Sei que escandalizo, ao ser-viver este Evangelho com tudo de alerta, de denúncia, de boa notícia para as pessoas que constituímos a sociedade, a humanidade, e nos batemos pela dignidade de todas, todos, de cada uma, cada um. Perdoem-me. Como presbítero jornalista que sou, não posso calar. É uma missão de alto risco, a minha, eu sei. Muito maior é o risco em que vivem as populações que, inadvertidas, pior, propositadamente mantidass na ignorâancia, se deixam afectar pelo vírus do voluntariado, da caridadezinha. Enganadas pela demolidora Publicidade, cientificamente elaborada pelo Mercado, em vez de lhe resistirem com todas as forças, abrem-lhe as portas das casas, pior ainda, as portas das mentes-consciências. Acabam farrapos humanos, muito abaixo dos cabazes, das mercadorias que recebem. Saibam que o voluntariado, a caridadezinha, serve para esconder e manter o crime dos crimes de todos os governos do mundo, que é a pobreza estrutural e a escabrosa ausência de justiça social, o pilar nº 1 duma sociedade em estado de saúde/salvação. O Mercado e seus grandes media que promovem o voluntariado, a caridadezinha, mobilizam jovens, reformados activos, são todos mentira, assassínio. Tais quais as igrejas cristãs, peritas em bem-fazer, inimigas de fazer o bem. Em nome da dignidade humana, peço-lhes: Voluntariado, caridadezinha, pobreza estrutural, nunca mais! Justiça social, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades, sempre!

6 Dezº 2014

 

 

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