
Na carta que hoje nos chega de Barcelona, Josep A. Vidal deseja um bom Natal aos argonautas e aos visitantes do nosso blogue. E manda um magnífico presente – uma versão em língua catalã do Poema de Natal de Vinicius de Moraes. Versão de que o Josep é autor. O que garante aos amigos catalães que nos visitem a leitura no seu idioma de um dos maiores poetas contemporâneos de língua portuguesa. Numa tradução fiel ao autor e que conserva toda a beleza e luminoso dramatismo do original.
POEMA DE NATAL POEMA DE NADAL
Para isso fomos feitos: Per a això hem estat fets:
Para lembrar e ser lembrados Per recordar i ser recordats
Para chorar e fazer chorar Per plorar i fer plorar
Para enterrar os nossos mortos — Per enterrar els nostres morts…
Por isso temos braços longos para os adeuses Per això tenim braços llargs per als comiats
Mãos para colher o que foi dado Mans per collir allò que ens és donat
Dedos para cavar a terra. Dits per cavar la terra.
Assim será nossa vida: Així serà la nostra vida:
Uma tarde sempre a esquecer Una tarda que cau sempre en l’oblit
Uma estrela a se apagar na treva Un estel que s’apaga en la tenebra
Um caminho entre dois túmulos — Un camí entre dues tombes…
Por isso precisamos velar Per això ens cal vetllar
Falar baixo, pisar leve, ver Parlar baix, fer el pas lleu, esguardar
A noite dormir em silêncio. la nit que dorm en el silenci.
Não há muito o que dizer: No hi ha pas gaire a dir:
Uma canção sobre um berço Una cançó al costat d’un bressol
Um verso, talvez de amor Un vers, potser d’amor
Uma prece por quem se vai — Una pregària pel qui se’n va…
Mas que essa hora não esqueça Aquesta hora, però, que no s’oblidi
E por ela os nossos corações I que per ella els nostres cors
Se deixem, graves e simples. Es lliurin, serens i simples,
Pois para isso fomos feitos: Car per a això hem estat fets:
Para a esperança no milagre Per a l’esperança en el miracle
Para a participação da poesia Per a la participació de la poesia
Para ver a face da morte — Per veure el rostre de la mort…
De repente nunca mais esperaremos… De sobte mai més no esperarem…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Avui la nit és jove; de la mort, a penes
Nascemos, imensamente. Naixem, immensament.
Vinicius de Moraes Vinícius de Moraes
Trad.: Josep A. Vidal
