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“TENTAR SEMPRE. SEMPRE E SEMPRE PARA MELHOR” – DISCURSO de FRANKLIN D. ROOSEVELT, na UNIVERSIDADE OGLETHORPE, em ATLANTA, GEORGIA, 22 de MAIO de 1932 – II

Tentar sempre, sempre e sempre para melhor

(conclusão)

Possivelmente devido à urgência e à  complexidade dessa fase da  nossa situação  alguns dos nossos economistas  têm estado ocupados  sobre o processo mas com a  exclusão de outras fases que são, porém, de grande importância.

Destas outras fases, o que parece mais importante para mim a longo prazo é o problema de controlar  através de um planeamento  adequado, a criação e distribuição dos produtos que a nossa vasta máquina económica é capaz de produzir e disponibilizar. É verdade que o capital, seja público ou privado, é necessário para a criação de novas empresas, e que tal capital cria emprego.

Mas pensemos com atenção sobre  as enormes somas de capital ou de crédito que, na última década, se têm  dedicado a empresas  que economicamente não se justificam — para o desenvolvimento de bens e serviços não essenciais e a multiplicação de muitos produtos muito além da capacidade de absorção da nação. É a mesma história que mostrámos com a  irreflectida situação da existência de demasiados professores e de advogados.

Aqui novamente, no campo da indústria e dos negócios, muitos daqueles cuja preocupação principal é confinada à garantir boas situação para o  que  chamam de capital falharam ao ler as lições dos últimos anos e ao terem agido menos pela calma análise das necessidades da nação como um todo do que por uma determinação cega para preservar os seus  próprios interesses na ordem económica. Eu não quero com isto dizer que penso termos chegado  ao fim desse período de expansão. Continuamos a precisar de capital para a produção de novas máquinas recentemente inventadas,  para a substituição de equipamento desgastado ou tornado obsoleto pelo  nosso progresso técnico; Precisamos de melhores condições de habitação  em muitas das nossas cidades e precisamos ainda em muitas partes do país de  mais e melhores estradas, canais, parques e outras melhorias. Mas parece-me provável que a nossa estrutura fabril  não se vá  expandir no futuro à  mesma taxa com que se expandiu  no passado. Nós podemos  construir mais fábricas, mas o facto a reconhecer é que temos suficientes por agora para satisfazer todas as  nossas necessidades internas e mesmo mais, se estes equipamentos forem todos utilizados. Com estas fábricas podemos agora fazer mais sapatos, mais têxteis, mais aço, mais rádios, mais automóveis, mais de quase tudo do que precisamos.

Não, o nosso problema básico não foi uma insuficiência de capital. Foi uma insuficiente distribuição do poder de compra conjuntamente com uma excessiva especulação sobre a  produção. Enquanto os salários subiram em muitas das nossas indústrias, fizeram-no sim mas de modo nenhum aumentaram na mesma proporção  que os ganhos do capital  e ao mesmo tempo que o poder de compra de outros grandes grupos da nossa população era obrigado a reduzir-se.  Nós acumulámos uma  tal superabundância de capital que os nossos maiores banqueiros concorriam fortemente uns contra os outros e em que  alguns deles empregaram mesmo métodos questionáveis, nos seus  esforços para emprestar este capital quer nos Estados Unidos quer no exterior.

Eu acredito que estamos no limiar de uma mudança fundamental no nosso pensamento económico popular, que, no futuro, vamos pensar menos sobre o produtor e mais sobre o consumidor. Iremos fazer o que pudermos  para injectar vida na  nossa ordem económica em tão mau estado de saúde,  não conseguimos resistir por muito mais tempo, a menos que nos possamos colocar sobre uma visão mais vasta do que é a distribuição e com ela procurar realizar uma mais sábia e mais equitativa distribuição do  rendimento nacional,

Este projecto está  bem no quadro da capacidade inventiva de homem, que realizou esta grande máquina económica e social que é ela  capaz de satisfazer as necessidades de todos nós, de assegurar que todos os que desejam e possam trabalhar  recebam da sociedade  pelo menos para satisfazer as suas necessidades económicas. Num tal sistema, a recompensa para um dia de  trabalho terá que ser maior, em  média, do que ela era  e a recompensa para o capital, especialmente o capital que é especulativo, terá que ser menor do que era.  Mas eu acredito que depois da  experiência dos últimos três anos, o cidadão médio receberia um retorno um pouco menor sobre as suas poupanças  em troca da maior segurança para o principal, do que ter a experiência por um momento de uma enorme  emoção pela  perspectiva de ser um milionário e verificar  imediatamente a seguir que a sua fortuna, real ou esperada, murchou nas suas mãos mão porque a máquina económica falhou, entrou em ruptura mais uma vez.

É no sentido de alcançar  este  objectivo que temos de  nos mover se nos quisermos aproveitar e aprender com as nossas experiências recentes. Provavelmente poucos discordarão que o objectivo é desejável. Ainda muitos haverá, de coração fraco e  com medo da mudança, firmemente sentados com dificuldade nos  telhados na enchente, resistirão  dificilmente esbracejando para se salvarem e com um medo enorme de o conseguirem fazer.  Mesmo entre aqueles que estão prontos para tentar esta viagem há  violentas diferenças de opinião sobre como deve tudo deve ser feito.  Tão complexo, tão amplamente distribuídos ao longo de toda a nossa sociedade são os problemas com que nos confrontamos que os homens e as mulheres movidos pelo bem comum  não estão de acordo quanto às melhores maneiras de os conseguir alcançar. Um tal desacordo leva a que não se faça  nada, a ficar à deriva. O consenso pode vir tarde demais.

Não confundamos os objectivos com os métodos. Muitos dos considerados líderes da nação não conseguem ver a floresta por causa das árvores. Muitos deles não reconhecem a necessidade vital do  planeamento por objectivos definidos. Uma verdadeira  liderança exige que se precisem os  objectivos e que se ganhe o apoio generalizado  da opinião pública em apoio destes objectivos.

Não confundir  objetivos com métodos. Quando a nação se torna  substancialmente unida a favor do planeamento dos grandes objectivos da civilização, então a verdadeira liderança deve unir o pensamento que está por trás dos métodos escolhidos.

O país precisa , a menos que eu me engane na sua têmpera,  o país exige experimentação audaciosa e persistente. É do  senso comum assumir  um método e experimentá-lo: se não der certo, se não resultar, admiti-lo  francamente e tentar outro. Mas acima de tudo, tentar, tentar sempre alguma coisa.  Os milhões que vivem em dificuldade  não ficarão  em silêncio para sempre e tanto quanto  as coisas para satisfazer as  suas necessidades são tão fáceis de alcançar.

Precisamos de entusiasmo, de imaginação e de  capacidade para encarar os factos, mesmo que desagradáveis, bravamente. Nós precisamos de corrigir, por meios drásticos, se necessário, as falhas no nosso sistema económico, do qual muito  sofremos agora. Precisamos da coragem dos jovens. A nós não nos cabe  a tarefa de fazer o vosso  caminho no mundo, mas sim a tarefa de refazer o mundo que encontrámos   antes de nós. Mas  a cada  um de nós pode ser dada  a coragem, a fé e a visão para dar o melhor que há em cada um de nós para o refazer!

APP Note: In the Public Papers and Addresses of Franklin D. Roosevelt, this document is sub-titled, “The Country Needs, the Country Demands Bold, Persistent Experimentation.”

Citation: Franklin D. Roosevelt: “Address at Oglethorpe University in Atlanta, Georgia,” May 22, 1932. Online by Gerhard Peters and John T. Woolley, The American Presidency Project. http://www.presidency.ucsb.edu/ws/?pid=88410

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Para ler a Parte I deste discurso de Franklin Roosevelt, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

“TENTAR SEMPRE. SEMPRE E SEMPRE PARA MELHOR” – DISCURSO de FRANKLIN D. ROOSEVELT, na UNIVERSIDADE OGLETHORPE, em ATLANTA, GEORGIA, 22 de MAIO de 1932 – I

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